Nors volta às compras no Canadá para ‘equipar’ construção. Lucro cai 26% para 51 milhões

Após quatro anos a subir, faturação da antiga Auto Sueco tropeça 8,3%, para 1.396 milhões de euros, pressionada por camiões no Brasil. Grupo do Porto investe mais 15 milhões em aquisições no Canadá.

Com negócios que vão dos equipamentos de construção aos veículos pesados (camiões ou autocarros), passando pelas máquinas agrícolas e industriais, o grupo Nors viu os lucros caírem pelo terceiro ano consecutivo em 2025, para 50,5 milhões de euros (-26,3%), ao passo que as vendas consolidadas de 1.396 milhões registadas no ano passado equivaleram a uma diminuição de 8,3% em termos homólogos, depois de quatro anos a crescer neste indicador.

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A histórica multinacional sediada no Porto justifica que os resultados do último exercício, em que o EBITDA consolidado atingiu 140,5 milhões de euros e ficou 18,1% abaixo do anterior registo anual, “refletem a natureza cíclica dos mercados em que atua, num contexto macroeconómico marcado pela quebra dos preços das commodities e por uma desaceleração após um período de forte expansão”.

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Ainda assim, fonte oficial da antiga Auto Sueco, que vendeu o negócio de comércio de automóveis à Carclasse e à Gocial, descreve ao ECO um “desempenho muito positivo, reforçando a generalidade das quotas de mercado nas geografias e segmentos onde está presente, mantendo o foco na eficiência operacional, na rentabilidade e na preparação de um novo ciclo de crescimento”.

Questionado sobre o andamento dos negócios e as perspetivas para este ano, o grupo liderado por Tomás Jervell sublinha que “[mantém] como prioridade a eficiência operacional”. Apesar de estar ainda a atravessar um “contexto de alguma incerteza”, considera que está “hoje mais preparado e mais ágil para responder aos desafios do mercado, acreditando que os fundamentos macroeconómicos dos mercados onde atua suportam a entrada num novo ciclo de expansão”.

Os resultados de 2025 refletem a natureza cíclica dos mercados em que o grupo atua, num contexto macroeconómico marcado pela quebra dos preços das commodities e por uma desaceleração após um período de forte expansão.

Fonte oficial da Nors

Quando substituiu 17 marcas das empresas que tinha espalhadas por sete países, o conglomerado que emprega 4.950 pessoas em todo o mundo (dos quais 912 em Portugal, 948 no Brasil, 796 no Canadá e 333 em Angola) aproveitou para reorganizar as operações em cinco segmentos de negócio: Trucks & Buses (vale 55,5% das vendas), Construction Equipment (36,1%), Agro (2,9%), Aftermarket (4,2%) e Ventures (1%) — composta por participações na corretora de seguros Amplitude e na Sotkon, que está a investir no Entroncamento e ‘enterrar’ resíduos em Itália, Polónia e Sérvia.

Fundada em 1933 pelo avô do atual CEO, que em 2009 trocou o cargo de administrador financeiro pela liderança máxima do grupo, em substituição do pai, a Nors conta atualmente com mais de 150 unidades e está presente em 17 países: Portugal, Espanha, Áustria, Chéquia, Eslováquia, Roménia, Hungria, Croácia, Brasil, Turquia, Angola, Moçambique, Botswana, Namíbia, México, EUA e Canadá.

Tomás Jervell, CEO do grupo Nors, em entrevista ao ECO - 22SET23
Tomás Jervell, CEO do grupo NorsRicardo Castelo/ECO

Novo investimento de 15 milhões no Canadá

Em termos financeiros, após o “esforço significativo” com aquisições de peso que elevaram a alavancagem e aumentaram o serviço da dívida associado às operações integradas — a compra da canadiana Great West Equipment, incluindo a incorporação da dívida; e das operações da Tecnoeste (equipamentos de construção) e da Agrofito (maquinaria agrícola), ambas no Brasil –, adianta no relatório e contas que, embora de menor dimensão, fechou mais duas operações no Canadá, ambas na área dos equipamentos de construção.

Na nota aos investidores contabiliza um investimento conjunto que ficou próximo dos 15 milhões de euros. Envolveu a aquisição da Westcon Equipment na província de Manitoba, que tem a representação da Volvo Construction Equipment e da Sennebogen; e dos contratos relativos às marcas Manitowoc, Grove e National Cranes na região de British Columbia e no território do Yukon, que aponta como “um passo relevante na ambição de [se] posicionar como um player de alcance nacional no setor das gruas”.

O grupo mantém-se atento a oportunidades que possam reforçar o seu posicionamento nos segmentos em que atua, sobretudo em mercados onde já dispõe de uma presença relevante e de conhecimento operacional consolidado.

Fonte oficial da Nors

Em declarações ao ECO, a Nors explica que “a estratégia de crescimento continua a assentar numa abordagem seletiva à alocação de capital, alinhada com os seus objetivos estratégicos e com uma lógica de criação de valor sustentável”. “As aquisições realizadas recentemente no Canadá enquadram-se nessa visão, ao reforçarem a presença do grupo em geografias onde já opera, consolidarem parcerias com marcas estratégicas e aumentarem a escala e complementaridade da oferta”, acrescenta.

Questionada sobre a negociação de outras aquisições para breve, assim como os segmentos, geografias e tipos de ativo com mais interesse, fonte oficial do grupo detido pelas famílias Jervell (maioritária) e Jensen responde que “mantém-se atento a oportunidades que possam reforçar o seu posicionamento nos segmentos em que atua, sobretudo em mercados onde já dispõe de uma presença relevante e de conhecimento operacional consolidado”.

A Nors encerrou o exercício de 2025 com uma dívida líquida de 364,2 milhões de euros, o que representou uma diminuição de 16%, embora o rácio sobre o EBITDA tenha aumentado ligeiramente devido à quebra neste último indicador. Não obstante, sublinha na comunicação aos investidores, manteve “um rácio saudável, fixando‑se em 2,6 vezes, desempenho que evidencia a solidez da estrutura financeira e a capacidade da organização para acomodar potenciais oscilações de mercado”.

Camiões ‘atropelam’ 20% do negócio no Brasil

Sustentado sobretudo nos equipamentos de construção, o Canadá foi mesmo a única das principais geografias em que a Nors conseguiu aumentar as vendas (17,3% para 446,2 milhões de euros) no ano passado, valendo agora 32% do total. Aliás, refletindo a “importância estratégica e a ambição neste território”, no início deste ano o grupo decidiu nomear um novo CEO (Sudhanshu Singh) para as operações no Canadá, que assumiu a responsabilidade transversal por este mercado.

Apesar do tombo de 19,8%, com 512 milhões de vendas, o Brasil continua a ser o maior contribuinte (36,7%) em termos consolidados. Cerca de 80% da regressão é atribuída às perdas nos Trucks & Buses em São Paulo, embora todos os segmentos tenham baixado a performance, como o negócio Agro (-20,7%). O recuo do outro lado do Atlântico é atribuído à combinação de taxas de juro elevadas, menor liquidez no mercado e descidas acentuadas das commodities.

Em Portugal, a redução de 14,6% no último exercício é explicada, sobretudo, pela alienação da AutoSueco Automóveis – era composta por concessionários em Braga, Guimarães, Porto, Vila Nova de Gaia, Queluz e Almada, com representações das marcas Volvo, Mazda, Honda, Jaguar e Land Rover –, que tinha integrado o perímetro de consolidação até junho de 2024. Excluindo esse efeito, as vendas teriam baixado ‘apenas’ 1,5% no mercado interno, que vale agora 24,4% do total.

Já no conjunto das quatro geografias africanas em que opera, as vendas recuaram 6,7% essencialmente por culpa das operações no Botswana e Moçambique. É que na Namíbia o ano foi de estabilização e em Angola diz ter conseguido estancar a “queda significativa” que tinha acontecido em 2024, o que até reforçou ligeiramente para 3,9% o peso relativo deste país lusófono no volume de negócios consolidado do grupo nortenho.

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