TAP seria “excelente complemento” para Lufthansa chegar à liderança nas rotas para a América do Sul, diz CEO

Lufthansa tem 9% do mercado de rotas entre UE e América do Sul. Com os 11% da TAP permitiria igualar os 20% da IAG e superar os 17% do grupo Air France-KLM (com quem concorre na privatização).

A TAP representaria um “excelente complemento” à oferta da Lufthansa, permitindo ao grupo chegar à posição de líder de mercado nas rotas entre a União Europeia e a América do Sul, afirmou esta terça-feira Carsten Spohr, o CEO da companhia aérea alemã.

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“Na América Latina, o grupo Lufthansa, incluindo a ITA, juntamente com a TAP, terá aproximadamente a maior quota de mercado“, disse Spohr, em conferência de imprensa online depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre. “Assim, isto criaria um bom equilíbrio na América do Sul, com três grupos de companhias aéreas fortes”.

Numa apresentação publicada no site de relações com investidores, a Lufthansa mostra que tem 9% de quota nesse mercado, o que com os 11% da TAP permitiria ao grupo pelo menos igualar os 20% da IAG, dona da Iberia e British Airways, e superar os 17% do grupo Air France-KLM. com o qual vai disputar a privatização da companhia portuguesa.

“O nosso grupo, apoiado pela TAP, dar-nos-ia, naturalmente, uma presença muito mais forte no mercado português, no mercado latino-americano, na Argentina e no Brasil, o que constituiria um excelente complemento à nossa oferta“, sublinhou Spohr.

Na passada quarta-feira a Lufthansa confirmou a entrega da proposta firme pela transportadora portuguesa, dizendo que a aquisição de uma participação minoritária inicial tem como objetivo estabelecer uma parceria de longo prazo entre o Grupo Lufthansa e a TAP Air Portugal, de forma a assegurar, de forma sustentável, o futuro de sucesso da TAP enquanto companhia aérea nacional de Portugal.

Adiantou na altura que pretende reforçar a companhia aérea nacional portuguesa como parte do Grupo Lufthansa e como a principal companhia aérea para o Atlântico Sul, tendo Lisboa como hub estratégico, explicando que com a SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways, já demonstrou como a integração europeia no grupo garante perspetivas de crescimento e desenvolvimento para os mercados e hubs de origem, mantendo ao mesmo tempo a identidade nacional de cada uma delas.

Jet fuel penaliza resultados e ações

A Lufthansa anunciou esta terça-feira que o lucro líquido caiu para 123 milhões de euros no segundo trimestre, face a mil milhões no mesmo período do ano passado, penalizado pelo aumento do custo do jet fuel devido à guerra no Irão.

A empresa explicou que aumentou as receitas no segundo trimestre em 8%, em termos homólogos para 11,1 mil milhões de euros. No entanto, registou um resultado operacional (EBIT ajustado) de 383 milhões de euros, o que representa uma queda significativa em comparação aos 870 milhões do segundo trimestre de 2025.

Os principais fatores responsáveis pela queda nos resultados foram os custos com combustível, que ficaram aproximadamente 750 milhões de euros acima do nível do ano anterior, bem como os encargos financeiros de, pelo menos, 150 milhões de euros causados por greves, explicou a empresa. A compensar estes fatores estiveram os rendimentos melhorados, que ficaram mais de 13 % acima do nível do ano anterior nas rotas asiáticas. A margem do EBIT ajustado contraiu-se para 3,4%, face a 8,4% em 2025.

A pressão nos resultados obrigou a Lufthansa a cortar a meta anual para o lucro operacional prevendo agora um EBIT ajustado entre 1,7 e 2,2 mil milhões de euros para o exercício de 2026, face à anterior projeção de 1,96 mil milhões de euros. As ações da Lufthansa tombam 10,35% para 8,27 euros cada, para mínimos de 11 de junho.

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