Famílias mais endividadas. Por cada 100 euros de rendimento têm 71,5 euros de dívida

Peso do endividamento dos particulares tem vindo a subir desde 2024 e ascendeu a 56,79% do PIB no primeiro trimestre deste ano. Consolidação da tendência significa inversão face aos últimos anos.

O endividamento dos particulares voltou a subir no arranque deste ano, consolidando uma tendência que se verifica desde o quarto trimestre de 2024. Os dados são do Banco de Portugal e revelam uma inversão no processo de desalavancagem que se verificava nos últimos anos, mostrando que o dinheiro das famílias, após impostos e pagamento de créditos, é cada vez menor.

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Segundo os dados atualizados na segunda-feira pelo regulador, o endividamento dos particulares, que inclui famílias, empresários em nome individual e instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias, ascendeu a 71,5% no primeiro trimestre deste ano. Neste quadro, por cada 100 euros de rendimento disponível, as famílias têm 71,5 euros de dívida.

Os números mostram um aumento do peso do endividamento face aos 69,65% de rendimento disponível registados no primeiro trimestre do ano passado e aos 71,02% dos últimos três meses do ano passado. E mais do que isso, apontam para um reforço da trajetória de subida que se regista desde a reta final de 2024 e veio colocar fim à redução que ocorria desde o final de 2012.

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Uma tendência que resulta sobretudo do aumento do crédito à habitação, que, segundo alertou o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, é impulsionado “pela subida dos preços das casas e pelo forte crescimento do crédito à habitação, as famílias voltaram a aumentar o seu endividamento, invertendo uma tendência de decréscimo dos anos recentes”.

Em valores absolutos, no final de março, a dívida dos particulares ascendia a 176,8 mil milhões de euros, mais 13,8 mil milhões do que no período homólogo, e o correspondente a 56,79% do Produto Interno Bruto (PIB). Um rácio que revela um aumento face os 55,54% registados no primeiro trimestre de 2025 e aos 56,54% alcançados no quarto trimestre deste ano.

Ainda que o valor se mantenha longe dos 92,9% registados no pico da crise financeira, em 2013, verifica-se também aqui a inversão de tendência do peso do endividamento dos particulares no último ano e meio.

Isolando o mês de março, os dados do regulador revelam ainda que o dos particulares subiu 8,7% em relação ao período homólogo, mais 0,1 pontos percentuais (pp.) do que em fevereiro, impulsionado pelo crédito à habitação (+10,1%).

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