Guerra com o Irão ameaça negócios financiados pelo Golfo

A guerra contra o Irão leva investidores do Golfo a rever carteiras e pode afetar operações internacionais de 106 mil milhões de dólares, noticia o Financial Times.

A guerra dos EUA e de Israel contra o Irão ameaça perturbar grandes operações internacionais financiadas por investidores do Golfo, noticia o Financial Times (acesso pago, em inglês). Estão por concluir pelo menos 106 mil milhões de dólares em negócios na América do Norte e na Europa dependentes de compromissos de capital da região, segundo dados da PitchBook citados pelo jornal.

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Os investidores do Golfo participaram em mais de 120 mil milhões de dólares de operações concluídas na América do Norte e na Europa no ano passado, de acordo com a Dealogic. Mas governos, fundos soberanos e investidores da região estão agora a rever carteiras e estratégias de aplicação de capital, depois de ataques iranianos a infraestruturas energéticas e económicas de aliados dos EUA no Médio Oriente terem aumentado a incerteza nos mercados.

Segundo o Financial Times, seis dos dez maiores fundos soberanos do mundo estão sediados no Golfo, incluindo a Abu Dhabi Investment Authority, o Public Investment Fund saudita e a Qatar Investment Authority, com uma riqueza combinada próxima de cinco biliões de dólares. A região representou quase metade dos investimentos soberanos globais em 2025, com 126 mil milhões de dólares aplicados em setores como inteligência artificial, entretenimento e serviços financeiros.

Algumas operações de grande dimensão mantêm-se, ainda assim, em curso. O jornal refere que a Paramount Skydance terá assegurado apoio financeiro do Golfo para a compra da Warner Bros, avaliada em cerca de 110 mil milhões de dólares, enquanto a operação liderada por investidores sauditas para comprar a Electronic Arts, por 55 mil milhões de dólares, deverá ficar concluída nos próximos meses.

Banqueiros ouvidos pelo Financial Times admitem que o capital continua disponível, mas esperam uma pausa parcial em alguns investimentos internacionais, à medida que os fundos soberanos dão prioridade à economia doméstica, à defesa, à resiliência de infraestruturas, à segurança energética e a cadeias de abastecimento críticas. O sinal é relevante para os mercados globais de fusões e aquisições, onde o capital do Golfo se tornou uma das principais fontes de financiamento para grandes operações.

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