Dona do Pingo Doce investe mais 20 milhões no salmão da Noruega e pesca corvina em Marrocos

Jerónimo Martins reforça para 40% na Andfjord Salmon da Noruega e junta corvina à dourada e robalo de Marrocos. Compra ativos de frutas e legumes a Luís Vicente e quinta no Fundão para ter mais leite.

O grupo Jerónimo Martins (JM) continua a reforçar a participação na norueguesa Andfjord Salmon. Depois de ano passado ter investido 45 milhões de euros em dois aumentos de capital que elevaram a sua participação para 35,11% no final do exercício, a dona do Pingo Doce recebeu no arranque deste ano um montante adicional de 9 milhões de ações, passando a deter uma participação total de 39,72%.

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Este novo aumento de capital realizado pela produtora de salmão em aquacultura foi iniciado ainda no último mês de 2025, tendo o grupo português, através do seu braço agroalimentar liderado pelo ex-ministro da Agricultura António Serrano, efetuado um adiantamento de 20 milhões de euros à empresa nórdica da qual já era o maior acionista.

Em declarações ao ECO, fonte oficial contabiliza que “o Grupo Jerónimo Martins tem vindo a reforçar nas várias fases de aumento de capital, num montante total de cerca de 115 milhões de euros desde 2022, por considerar o projeto altamente inovador em termos de modelo de produção e acreditar na elevada diferenciação do produto resultante”.

O Grupo Jerónimo Martins tem vindo a reforçar nas várias fases de aumento de capital, num montante total de cerca de 115 milhões de euros desde 2022, por considerar o projeto altamente inovador em termos de modelo de produção e acreditar na elevada diferenciação do produto resultante.

Fonte oficial do Grupo Jerónimo Martins

É na remota ilha de Andøya, pertencente ao arquipélago ártico de Vesterålen, que o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos está há mais de quatro anos a investir na produção de salmão, depois de uma primeira tentativa falhada para o fazer em Aveiro. Um negócio que até agora tem somado prejuízos, enquanto não inicia a produção para o mercado, contando reportar as primeiras receitas com a venda de salmão em 2026.

Do salmão para o bacalhau, sem sair da Noruega, o grupo que aumentou em 8% os lucros para 646 milhões de euros em 2025 comprou na reta final do ano passado uma participação de 18% na Norcod, a segunda maior, a troco de 13 milhões de euros. Com vários centros de produção no centro do país e ao longo da costa de Helgeland, a empresa nórdica tem como outros acionistas a High Liner Foods e a dinamarquesa Sirena.

António Serrano, que ganhou assento no conselho de administração da produtora de bacalhau em aquacultura na sequência do aumento de capital totalmente subscrito pela empresa portuguesa, frisou que “este investimento financeiro está em linha com a visão a longo prazo [do grupo] relativamente à produção inovadora de proteína animal, num contexto de elevada pressão sobre as populações de peixes selvagens, nomeadamente de uma espécie tão controlada como o bacalhau”.

António Serrano

Ainda na aquacultura, em que a internacionalização arrancou em 2021 com a aquisição de uma empresa em Marrocos para a produção offshore no Mediterrâneo, calcula no mais recente relatório de gestão que vendeu um total de 3.015 toneladas de dourada e robalo em 2025. E a cesta do peixe vai engordar no final deste ano com estas e com uma outra nova espécie: não só duplicou o número de jaulas e renovou a unidade de embalamento naquela geografia, como vai passar a produzir também corvina em águas marroquinas.

Através da Seaculture, o grupo que detém os supermercados Biedronka (Polónia e Eslováquia) e Ara (Colômbia) opera igualmente uma unidade de produção de aquacultura offshore em Vila Real de Santo António, no Algarve, que ganhou uma estrutura de acondicionamento de pescado. “Além do controlo da cadeia, desde o início da produção até ao acondicionamento em caixas e envio para os clientes, (…) assegura a frescura do pescado, permitindo que chegue aos clientes do Pingo Doce e do Recheio em 24 horas”, salienta no mesmo documento.

Comandar frutas e vegetais, engordar com carne e leite

Na área de frutas e vegetais, as principais movimentações foram a aquisição das participações somadas de 50% de Ricardo Costa e Mário Gemperle na Tastyfruits – passou a controlar a 100% esta sociedade que está a instalar um pomar de citrinos biológicos com perto de 300 hectares no Baixo Alentejo – e, sobretudo, a compra do grupo de frutas e legumes Luís Vicente à holding Nuvi, que tem negócios em Angola.

A operação foi concretizada através da subsidiária Supreme Fruits, que ambos tinham criado em 2023 e em que a JM detinha 80%. No entanto, o acordo previa a aquisição dos restantes 20% na joint-venture com o empresário Luís Vicente, que já recebeu ‘luz verde’ da Autoridade da Concorrência, tendo o trespasse da atividade sido assinado a 9 de janeiro.

Sem revelar o valor envolvido nesta operação, o grupo detalha ao ECO que “passou a deter a totalidade da Supreme Fruits e adquiriu os ativos da operação de frutas e legumes da Luís Vicente em Portugal, que inclui uma central de embalamento e processamento de fruta, uma indústria de fruta desidratada (Frubis) e instalações logísticas e administrativas na região de Lisboa, nos Açores, na Madeira e em Madrid”.

A mesma fonte descreve que “esta foi uma oportunidade para reforçar a integração das componentes de produção e comercialização (trading) na companhia”. No contexto da aquisição da operação de frutas e legumes da Luís Vicente em Portugal, foi também integrada a Plump, “uma pequena companhia do universo Luís Vicente a operar em Espanha, dedicada à comercialização de frutas e legumes e que “[continua] em operação”.

Espera-se que a aquisição do negócio de trading da Luís Vicente venha a fortalecer significativamente as capacidades comerciais e o acesso a mercados internacionais, permitindo acelerar o crescimento e reforçar a integração entre produção e comercialização.

António Serrano

Diretor-geral da Jerónimo Martins Agro-Alimentar

António Serrano, diretor-geral da Jerónimo Martins Agro-Alimentar (JMA), sublinha no relatório anual publicado esta semana que “espera-se que a aquisição do negócio de trading da Luís Vicente venha a fortalecer significativamente as capacidades comerciais e o acesso a mercados internacionais, permitindo acelerar o crescimento e reforçar a integração entre produção e comercialização”.

Por outro lado, no primeiro exercício a controlar na totalidade a sociedade Outro Chão – comprou os restantes 20% ao empresário António Silvestre Ferreira, fundador do grupo Vale da Rosa –, o grupo retalhista que admite interesse em alguns ativos do Carrefour na Polónia contabiliza que a campanha de vendas das uvas sem grainha em Portugal e na Polónia, produzidas entre julho e outubro em 115 hectares e comercializadas com a marca “hey,vita!”, superou as 2.100 toneladas em 2025, um crescimento de 42% em relação ao ano anterior.

Das frutas e legumes para a agropecuária, através da originária Best Farmer que vendeu 13.679 bovinos no ano passado e da sociedade Ovinos da Tapada (Murça) – na qual investiu em 2021 e que conta com um efetivo de 250 caprinos de raça Serrana –, a principal novidade foi a aquisição de uma nova propriedade no Fundão para “aumentar a capacidade da vacaria e [criar] as condições para um crescimento significativo da produção de leite nos próximos anos”.

Finalmente, na área dos laticínios e com a Terra Alegre a terminar o ano com 88 milhões litros de leite vendidos, salienta uma parceria com o Instituto Politécnico de Portalegre em torno de um projeto de inteligência artificial que “irá permitir o processamento de dados na fábrica de laticínios, com o objetivo de gerar informação relevante para a gestão e apoiar na otimização dos processos na unidade, permitindo redução de custos e ganhos ao nível da eficiência energética”.

Perspetivando o exercício de 2026, António Serrano expõe neste comunicado aos investidores que a JMA “entra numa fase de maior maturidade, com bases sólidas para consolidar os negócios existentes, acelerar a geração de valor e reforçar a sua presença nos mercados onde atua, mantendo uma visão de longo prazo assente em disciplina operacional, rigor financeiro e criação de valor sustentável”.

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