Interligações com Espanha “renderam” 3,2 mil milhões ao sistema português em quatro anos

Na ótica da REN, "as interligações são um tema que tem muito mais vantagens do que riscos". Além de aliviarem custos, permitiram que não fossem aplicadas restrições ao consumo de energia em 2022.

O administrador da REN João Conceição avançou, esta quarta-feira, que a interligação com Espanha — a mesma que levou a que o apagão de 28 de abril chegasse a Portugal — tem sido, sobretudo, adjuvante. Calcula que o sistema energético português tenha sido beneficiado em 3,2 mil milhões de euros nos últimos quatro anos e impediu que fosse necessário aplicar restrições de consumo em 2022, na sequência da seca severa que se viveu nesse ano.

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O conselho de administração da REN, na pessoa do presidente executivo (CEO) Rodrigo Costa e do administrador com o pelouro das operações (COO) João Conceição, fizeram intervenções e responderam esta quarta-feira a questões dos deputados, no âmbito de uma audição requerida pelo Grupo de Trabalho sobre o apagão de 28 de abril 2025.

“O facto de termos vindo a beneficiar da existência de preços bastante competitivos, devido a uma grande capacidade de produção solar em Espanha, nos últimos quatro anos, tem permitido ao sistema português ter benefícios”, indicou o COO da REN. Apontando para cálculos “muito preliminares”, avançou que esses benefícios se deverão situar em cerca de 3,2 mil milhões de euros, olhando aos últimos quatro anos.

O horizonte de quatro anos, entre 2021 e 2024, prende-se com o facto de ter sido a partir de 2021 que disparou a capacidade solar em Espanha.

João Conceição debruçou-se sobre o tema das interligações no sentido de apontar as vantagens e desvantagens de Portugal ter uma conexão forte com Espanha (capaz de abastecer metade do consumo em ponta, ou seja, no seu máximo) e, através de Espanha, com o resto da Europa. Na ótica da REN, “as interligações são um tema que tem muito mais vantagens do que riscos”.

No caso de um apagão, ter o sistema mais interligado, nomeadamente entre Espanha e França, poderia ter permitido que o sistema europeu apoiasse Espanha “com mais músculo”, de forma a estancar o “colapso total do sistema espanhol que nos arrastou”.

Ainda assim, reconhece que nem tudo são vantagens: pelo contrário, caso a Península Ibérica estivesse muito mais interligada com a Europa através de França, poderia significar “que este problema se expandiria pela Europa e seria, em vez de ser um apagão ibérico, um apagão europeu“.

Fora do cenário de apagão, a interligação entre Portugal e Espanha revelou-se útil em 2022, ano de seca severa deste lado da fronteira: “Se não fossem as interligações, nós estávamos a chegar a um ponto que provavelmente tínhamos que fazer deslastres controlados de consumo“, afirmou João Conceição. Isto é: teriam de ser feitas restrições ao consumo.

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