Montenegro não abdica da lei laboral no “triângulo” do Governo para tirar Portugal “do ramerrame”

Primeiro-ministro não deixa cair reforma que torne legislação do trabalho mais flexível “para empresas mais lucrativas e trabalhadores poderem ter melhores salários". "É preciso que todos colaborem".

Apesar da forte contestação de que tem sido alvo por parte dos sindicatos e que já levou inclusive à convocação de uma greve geral para 11 de dezembro, o primeiro-ministro insiste em incluir a flexibilização da legislação laboral naquilo que designa como um “triângulo de intervenção” do Governo, a par da fiscalidade e do combate à burocracia. “Não queremos um Portugal do ramerrame, mas com um ciclo de pujança económica duradoura que torne as empresas mais competitivas”, resumiu.

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Durante uma intervenção no Millennium Portugal Exportador, que se realiza esta terça-feira no Europarque (Santa Maria da Feira), Luís Montenegro defendeu uma legislação laboral flexível para a economia ser mais competitiva, as empresas mais lucrativas e os trabalhadores poderem ter melhores salários”. Mas para “exponenciar o potencial das empresas”, avisou, “é preciso que todos colaborem”. Incluindo os trabalhadores.

“Da parte dos trabalhadores é preciso que haja uma contribuição, para que a sua relação mais flexível com a entidade empregadora seja um estímulo à melhoria da capacidade produtiva da empresa, aumentando a rentabilidade e fazendo crescer os salários na base da capacidade produtiva concreta, e não de uma [que esteja] predeterminada para um projeto que pode não ser plausível, real, exequível — e que pode esbarrar com a realidade e com a falência”, dramatizou.

Frisando que o Executivo não quer “projetos bloqueados no crescimento” nem “salários baixos”, Montenegro confiou que a revisão da legislação laboral vai permitir aumentar a taxa de crescimento da economia nacional e que é preciso “aproveitar agora” para a concretizar, tal como para baixar os impostos ou reduzir a burocracia no Estado, argumentando que “não é quando estamos em situação de crise que vamos mexer nas bases da economia”.

Com Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado, na fila da frente -– “pagamos-lhe para isso e não queremos que faça mais nada; só tem uma missão: simplificar o funcionamento do Estado, torná-lo mais ágil” –, o chefe do Executivo ambiciona que a ligação entre empresas e Estado seja “rápida, menos complexa, com menos pareceres e menos confusão”. “Que não atrapalhe, que seja expedito. Que o Estado não seja controleiro, mas assegure que a legalidade é cumprida. Dando as condições para as empresas e as pessoas fazerem; e quem for depois apanhado a fazer mal, vai pagar na medida grande”, ilustrou.

Já no campo da fiscalidade, o primeiro-ministro apontou à redução dos impostos sobre o trabalho “para que valha a pena trabalhar” e, ao mesmo tempo, verbalizou que “salários mais altos só são possíveis se as empresas forem rentáveis e pela redução da carga fiscal”. Porque, acrescentou, o Estado “não quer ficar com essa quota parte de rentabilidade, mas que as empresas a usem para remunerar o seu capital, claro, mas também para investirem em equipamentos, em pagar melhores salários e na captação de talento”.

Perante uma plateia repleta de empresários e gestores, Luís Montenegro descreveu ainda Portugal como “um exemplo de estabilidade financeira no contexto europeu, o que favorece o crescimento da economia”, e um país que “oferece segurança e é um bom destino para o investimento”. E puxou dos galões do cumprimento das metas macroeconómicas que, segundo o governante, “hoje já quase todos assumem” que vão ser atingidas.

“Vamos chegar ao final do ano com uma taxa de crescimento compaginável com o que previmos lá atrás, acima da média da União Europeia e da Zona Euro, e com um excedente orçamental no encalce do que tem sido o nosso comportamento nos últimos anos. Mostrámos que, depois de anos de muita privação, as famílias, as empresas e as instituições públicas portuguesas conseguiram apreender o valor da estabilidade financeira como um pressuposto para caminhar com segurança rumo a um desenvolvimento económico mais robusto, intenso e duradouro”, rematou.

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