Vieira da Silva garante que deixa tudo preparado para Portugal manter liderança na execução do PRR

Ministra nega quaisquer atrasos e deseja que Governo de Luís Montenegro consiga manter Portugal na liderança da execução dos fundos europeus, apesar de não ter conseguido pedir o quinto cheque do PRR.

Três diplomas dependentes de aprovação, e um conjunto de outras medidas em fase de conclusão, impediram o Governo de avançar com o quinto pedido de desembolso do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Mariana Vieira da Silva garante que está tudo preparado para que o próximo Governo mantenha Portugal na linha da frente da execução dos fundos europeus, rejeitando qualquer tipo de atrasos.

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As declarações foram feitas na conferência de imprensa do último Conselho de Ministros regular deste Executivo e no qual foi aprovada mais uma medida do PRR, que altera o funcionamento do novo sistema de informação «Empresa 2.0», com vista a melhorar os serviços prestados no âmbito do regime de constituição de sociedades online através da disponibilização de novas soluções tecnológicas e de serviços digitais mais adequados aos tempos atuais.

“Como sempre dissemos, o quinto pedido de pagamento tem dimensões legislativas que caberá agora ao próximo Governo e à próxima Assembleia da República aprovar”, explicou a ministra da Presidência, rejeitando quaisquer atrasos na execução da bazuca, como o novo primeiro-ministro indigitado sugeriu esta quinta-feira em Bruxelas. Mariana Vieira da Silva reconheceu que o seu “Governo deixará três diplomas prontos para aprovação pelo próximo Governo”, já que “o período de Governo em gestão e de campanha eleitoral, não havendo Assembleia da República, não foi possível apresentar a proposta de lei que é uma das medidas do quinto pedido de pagamento do PRR”, numa referência à legislação para reorganização dos ministérios e sobre os incentivos para o mercado de capitais.

Estou certa que, ao longo dos próximos anos, continuaremos a poder dizer que Portugal está na linha da frente da frente da execução, como normalmente, nos fundos comunitários”, atirou Mariana Vieira da Silva em jeito de recado a Luís Montenegro. A responsável sublinhou que “Portugal é um dos dois países que já solicitou o quarto pedido de pagamento”, apesar de se reconhecer a nível europeu que “há questões em torno da execução do PRR, porque não foi desenhado numa altura de guerra e de dificuldades de acesso a mão-de-obra e inflação”.

Com o compromisso de apresentar o ponto de situação do PRR — que tem para já 102 metas e marcos cumpridas e três que Portugal ainda terá de demonstrar a Bruxelas que cumpriu e que levaram à retenção de 710 milhões de euros — no final do mandato (o novo Executivo deve tomar posse a 2 de abril), Mariana Vieira da Silva sublinha que a execução não é um ponto polémico. Para Luís Montenegro é porque ainda só foram pagos 3,99 mil milhões de euros aos beneficiários finais.

A ministra da Presidência, que tem a tutela política dos fundos comunitários, recordou que António Costa “já demonstrou total disponibilidade para fazer a transição de pastas com o futuro Governo, com colaboração total tendo em vista o interesse do país”. “Neste momento, temos um Governo indigitado, mas não temos um Governo a quem se possa fazer a transição de pastas”, recordou Mariana Vieira da Silva. “Quando existirem os diferentes nomes para as diversas áreas governativas”, que serão apresentados ao Presidente da República a 28 de março, “o Governo entrará em contacto para facilitar esse processo de transição”. “Este não é o tempo deste Governo, mas do primeiro-ministro indigitado apresentar os nomes ao Presidente da República, só depois iniciaremos o processo de transição de pastas”, acrescentou.

Qualquer decisão sobre a privatização da TAP ou sobre Orçamentos retificativos cabe exclusivamente ao próximo Governo”, disse ainda Mariana Vieira da Silva, recordando que o atual Governo deixa o país com números da dívida, do défice e das contas públicas “em muito melhores condições do que o encontrou”. “Agora tudo depende das medidas que se queira decidir, essa é uma avaliação que caberá ao próximo Governo”, disse a responsável recusando comentar se o excedente das contas públicas permitirá ao novo Governo acomodar medidas com o aumento dos polícias e dos professores.

O país alcançou um nível de autonomia e liberdade de execução das políticas públicas de que não deve abdicar, por permitir muitas dimensões das nossas políticas públicas”, sublinhou a ministra em mais um recado à direita. “Prosseguimos este caminho há mais de oito anos, é um caminho que o país precisa para definição das suas políticas futuras porque lhe dá mais liberdade”, acrescentou, recordando que a autorização de despesa aprovada esta quinta-feira foi possível precisamente pela política das contas certas.

O Conselho de Ministros aprovou um conjunto de autorizações de despesa direcionadas principalmente aos fundos comunitários e ao PRR na área dos transportes (Metropolitano de Lisboa e CP), do Instituto da Segurança Social e do IHRU, para terem as verbas necessárias para assegurar a política de habitação no PRR. “Com a autorização de despesa criámos condições para que as empresa públicas, nomeadamente as de transportes (metro e CP possam viver uma situação de saúde financeira e de execução dos seus investimentos, isso também é falar de contas certas”, que dá o “ambiente de muito maior liberdade do que aquele que existia em 2015”.

Em causa estão autorizações de despesa para a reprogramação dos encargos plurianuais relativos ao Plano de Investimento em Material Circulante Ferroviário para a CP; reprogramação dos encargos plurianuais relativos à aquisição de material circulante para a CP; aquisição de serviços de suporte à Rede Nacional de Segurança Interna pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna; celebração do contrato da empreitada de obras públicas para a conclusão da futura Residência Universitária da Universidade de Lisboa; celebração do contrato de empreitada de edificação da nova biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; aquisição de novos computadores por parte dos Agrupamentos de Escolas e Escolas não Agrupadas; reprogramação da despesa relativa à aquisição de serviços de gestão operacional de centro de contacto do Instituto da Segurança Social; compensação financeira a atribuir pelo Estado ao Metropolitano de Lisboa, no âmbito das obrigações de serviço público; e encargos plurianuais, no âmbito da contratualização do Programa de apoio ao acesso à habitação, pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.

(Notícia atualizada com mais informação)

 

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