Hungria aprova primeiras medidas anticorrupção para desbloquear fundos da UE
A Comissão Europeia propôs bloquear 7,5 mil milhões de euros à Hungria, que só serão libertadas depois de aprovadas reformas sobre o Estado de direito.
O parlamento húngaro aprovou esta segunda-feira as primeiras medidas anticorrupção em resposta às exigências da Comissão Europeia, que está a bloquear em fundos cuja entrega faz depender de reformas sobre o Estado de direito. Duas alterações foram aprovadas por larga maioria, de acordo com os resultados da votação comunicados na página oficial na Internet do parlamento da Hungria.
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Uma delas vai permitir que os cidadãos apresentem uma queixa nos tribunais se acreditarem que o Ministério Público pôs termo arbitrariamente a uma investigação por corrupção. O segundo texto visa aumentar a transparência do processo legislativo: apela a um melhor debate público, enquanto a maioria das leis são agora ratificadas sem consulta prévia.
Uma “autoridade independente” será criada para controlar melhor a utilização dos fundos da União Europeia (UE), uma medida que será adotada até terça-feira. Em setembro, a Comissão Europeia propôs privar a Hungria de 7,5 mil milhões de euros, e remeteu a questão para o nível superior, o do Conselho Europeu, instituição que representa os 27 Estados-membros do bloco.
O Governo do ultraconservador Viktor Orbán é apontado por Bruxelas por tomar medidas que enfraquecem o Estado de direito e acusado de usar dinheiro europeu para enriquecer os que lhe são próximos. Budapeste prometeu um total de 17 medidas-chave, algumas adotadas por decreto simples, para corrigir as “irregularidades” e “deficiências” denunciadas por Bruxelas nos processos de contratação pública e para prevenir conflitos de interesses.
O Governo húngaro espera escapar a uma decisão do Conselho Europeu e convencer Bruxelas a aprovar o seu plano de recuperação pós-pandemia covid-19 (5,8 mil milhões de euros em subsídios), fundos que o país, atormentado pela subida da inflação, precisa mais do que nunca.
A Hungria é o único país da UE cujo plano de recuperação ainda não recebeu luz verde da Comissão Europeia, pelas mesmas razões relacionadas com o respeito pelo Estado de direito. A organização não-governamental (ONG) Transparência Internacional, que coloca a Hungria em penúltimo lugar na UE em termos de corrupção, disse estar “cética” quanto à eficácia das medidas, de tal maneira “o sistema tem sido pervertido” desde que Viktor Orbán regressou ao poder em 2010.
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