Acionistas dão carta branca à EDP para aumentar capital em 400 milhões até 2026
Elétrica reuniu acionistas na AG anual, na qual votou dividendos e novos órgãos sociais. João Talone foi aprovado para regressar à empresa ocupar funções de chairman.
Os acionistas da EDP aprovaram uma mudança nos estatutos da empresa que permite facilitar eventuais aumentos de capital. Na assembleia-geral realizada remotamente esta quarta-feira, essa é uma das propostas votadas, acompanhada de uma outra que retira o direito de preferência dos atuais acionistas em aumentos de capital no futuro.
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“O contexto atual, de grande volatilidade, impõe que as sociedades estejam preparadas, cada vez mais, para responder de forma célere e flexível a oportunidades concretas que possam surgir ou para aceder a recursos financeiros adequados mediante processos rápidos e desburocratizados”. É esta a justificação para a proposta de alteração parcial dos estatutos que foi aprovada no encontro que começou às 10h e contou com 74,41% dos acionistas, segundo apurou o ECO.
Assim, os gestores da elétrica podem decidir a qualquer momento recorrer a um procedimento de accelerated bookbuilding — semelhante ao usado recentemente na EDP Renováveis –, o que “confere à sociedade a flexibilidade necessária para, em determinado momento, tirar proveito de condições de mercado favoráveis a um aumento de capital”. Considera ainda que minimiza riscos de colocação com modelos clássicos.
Também neste encontro magno, foi aprovada a remoção do direito de preferência aos atuais acionistas em futuras operações deste género e renovada, por cinco anos, a autorização concedida ao conselho de administração executivo para aumentar o capital social da EDP mediante emissão de novas ações a subscrever por entradas em dinheiro. Esse reforço pode ser feito por uma ou mais vezes, até ao limite de 10% do atual capital social. Após o aumento de capital fechado em agosto de 2020, o capital social da EDP passou a ser de 3.965 milhões de euros pelo que o máximo situa-se em 396,5 milhões de euros.
A EDP fechou o ano de 2020 com lucros de 801 milhões de euros (um aumento de 56% face ao ano anterior) e propôs dar quase tudo — 755 milhões de euros — na remuneração dos acionistas, através de um dividendo de 19 cêntimos por ação, a ser pago a partir de 26 de abril. As contas individuais e a aplicação destes resultados foram também aprovadas na AG, tal como os pontos referentes à autorização para comprar ou vender tanto ações como obrigações próprias e à remuneração dos administradores.
Conselho Geral e de Supervisão reforça poderes e faz regressar Talone
O ex-CEO da EDP João Talone vai voltar à elétrica como chairman após ter sido aprovado pelos maiores acionistas da empresa, o que lhe deverá garantir aprovação esta quarta-feira. O gestor irá substituir Luís Amado, que deverá continuar ligado à elétrica como consultor sénior. Com a proposta de João Talone para este cargo, os acionistas da EDP pretendem mudar o perfil do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) para competências mais técnicas e profissionais.
O anterior mandato do Conselho Geral e de Supervisão da EDP terminou em dezembro de 2020, tendo os novos membros sido aprovadas para o triénio 2021-2023. Este órgão será reduzido de 21 para 16 elementos e um dos novos nomes é o de Esmeralda Dourado, que deixou recentemente a administração não executiva da TAP. Por outro lado, o novo mandato não contará com Eduardo Catroga, que representava a China Three Gorges. Não se sabe ainda quem é que irá representar o maior acionista.
Além de mais curto, Conselho Geral e de Supervisão passará a ter mais membros independentes (passa de 52% para 56%) e será reforçada a diversidade de género. Uma das mulheres que irá agora integrar os órgãos sociais da EDP é Clara Raposo, a dean do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, que irá desempenhar funções de vice-presidente da mesa da AG, em substituição de Rui Medeiros.
Remunerações passam pela AG e têm ponderação ambiental
Nos órgãos de gestão da empresa haverá também mudanças estatutárias. Por forma a adaptar-se a alterações legislativas, a Comissão de Vencimentos passará a submeter propostas de política de remuneração à aprovação da Assembleia Geral da empresa. Além disso, a remuneração variável plurianual dos gestores passa a ser recebida em ações e consoante o desempenho da empresa nos critérios ambientais, sociais e de governo de sociedades (ESG, na sigla em inglês).
“A política de remunerações do Conselho de Administração Executivo passou a estar mais alinhada com as melhores práticas de mercado, designadamente no que se refere à componente variável plurianual na medida em que passa a ser auferida em ações e com diferimento no pagamento, tendo sido reforçada a ponderação dos indicadores de desempenho de ESG tanto na avaliação anual como na plurianual”, explica a empresa, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Outra alteração diz respeito à liderança da Comissão para as Matérias Financeiras/Comissão de Auditoria, que deixa de obrigatoriamente presidida pelo presidente do Conselho Geral e de Supervisão como estava agora determinado nos estatutos.
Por um lado, “a atividade da referida comissão exige dos respetivos membros qualificações profissionais adequadas para o setor em que a sociedade opera e adequada diversidade de competências, conhecimentos e experiências profissionais”, incluindo as constantes da legislação aplicável. Por outro, a empresa defende que não é indispensável “concentrar, por inerência”, essa função no presidente do conselho geral e de supervisão, “permitindo maior flexibilidade na estrutura das comissões especializadas do conselho geral e de supervisão”.
Até agora, era Luís Amado a ocupar o cargo por inerência, mas Talone não terá de o fazer forçosamente graças a esta alteração. “Entende-se adequado dispor de maior flexibilidade no que respeita ao perfil do presidente da Comissão para as Matérias Financeiras/Comissão de Auditoria da EDP, razão pela qual se considera adequado proceder ao alargamento do âmbito dos possíveis candidatos, o que também implica a alteração dos estatutos da sociedade”, acrescenta a empresa.
(Notícia atualizada às 19h30 com resultados da AG)
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