Queixas contra a Segurança Social sobem 39%. Atrasos nas pensões lideram reclamações
Em 2018, as queixas feitas à Provedora de Justiça sobre a Segurança Social aumentaram, em termos absolutos, em 39%. Os atrasos no processamento e pagamento de pensões foram os principais motivos.
A Segurança Social foi o motivo de 30% das queixas apresentadas no último ano à Provedora de Justiça, mantendo-se a principal razão para este tipo de reclamações. De acordo com o Relatório entregue à Assembleia da República, que foi conhecido esta quinta-feira, os atrasos no processamento e pagamento de pensões despertaram a maior parte dessas queixas, tendo mais do que triplicado na comparação homóloga, tal como já tinha sinalizado a Provedora de Justiça, no final do ano.
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“Quanto aos assuntos mais tratados em procedimentos abertos no ano de 2018, predominam as queixas em matéria de Segurança Social, as quais representam 30% do total de matérias tratadas no ano”, lê-se no documento conhecido esta tarde. No total, foram apresentadas 2.854 queixas sobre a Segurança Social, valor que compara com as 2.052 reclamações registadas em 2017. Tal valor representa, assim, um disparo em termos absolutos de 39% e uma subida de três pontos percentuais (p.p) do peso relativo desta matéria no total de queixas em relação a 2017.
“As queixas incidem maioritariamente (88%) sobre questões relativas a prestações sociais, sendo que as matérias atinentes a contribuições e a dívidas perfazem cerca de 12%”, detalha o relatório. Sobre os objetos dessas queixas, a Provedora de Justiça adianta ainda que foram as pensões de velhice a motivar mais queixas (495, o que representa uma subida de 17%), seguidas das pensões de sobrevivência e outras pensões por morte (378, o que reflete um aumento de 13%) e das contribuições, quotizações, dívidas, restituição de contribuições e de prestações (354, o que equivale a uma subida de 12%).
“Importa salientar o facto de se ter registado este ano um aumento significativo de queixas sobre os atrasos do Centro Nacional de Pensões na apreciação e decisão dos requerimentos de pensões“, salienta a análise, referindo que foram apresentadas 923 queixas deste tipo, mais do triplo das queixas idênticas recebidas em 2017.
Ainda que este não seja um problema novo, a Provedora de Justiça lamenta o seu agravamento, sendo muito desses atrasos superiores a um ano. “Em causa está o acesso tardio a pensões de velhice e de invalidez, pensões unificadas e prestações por morte (pensões de sobrevivência, subsídio por morte e reembolso das despesas de funeral), tanto por parte de cidadãos residentes em Portugal como por parte de cidadãos emigrantes”, lê-se no relatório. “Nas centenas de queixas dirigidas à Provedora de Justiça os cidadãos manifestam o prejuízo, o desespero e a angústia que estes atrasos comportam para si e para os respetivos agregados familiares, clamando, afinal, pelo legítimo direito à pensão“, nota-se.
A Provedora de Justiça sublinha também a falta de recursos humanos (a justificação que tem sido usada pelo Executivo de António Costa para estes atrasos) não pode “servir de fundamento atendível para justificar durante anos o incumprimento dos deveres do Estado e / ou a violação, por parte deste, de direito fundamentais do cidadão”.
O relatório frisa, além disso, que cresceram consideravelmente também as queixas sobre as condições de atribuição e cálculo das pensões antecipadas de velhice e das prestações no âmbito da proteção na deficiência.
Pensões à parte, a segunda matéria a despertar mais queixas foram as Relações de Emprego Público, seguindo-se a Fiscalidade. Por entidade, “quase metade das entidades visadas nas queixas instruídas em 2018 remeteu para a atuação da Administração Indireta e Autónoma”, destacando-se em particular o Instituto da Segurança Social.
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