A Fitch e a S&P também não querem saber se a CGD vai ao défice
Nenhuma das três maiores agências de rating valoriza de forma significativa um eventual impacto da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos no défice.
A Standard & Poor’s e a Fitch juntam-se à Moody’s e desvalorizam um eventual impacto da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no défice de 2017. As três maiores agências de notação de risco garantem que a avaliação da dívida soberana portuguesa não sofre com uma decisão desfavorável de Bruxelas.
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“Neste momento não incluímos qualquer impacto estatístico potencial da recapitalização da CGD no défice orçamental, porém as nossas projeções de dívida pública bruta e líquida já o incorporam,” explicam os analistas da S&P, ao ECO. “Por isso, um ajustamento no défice por causa dos custos da recapitalização não terá quaisquer implicações para as nossas projeções de dívida pública nem para a nossa avaliação das finanças públicas,” garante a S&P.
Um ajustamento no défice por causa dos custos da recapitalização não terá quaisquer implicações para as nossas projeções de dívida pública nem para a nossa avaliação das finanças públicas.
A S&P foi a primeira das três grandes agências de notação de crédito a retirar a dívida da República do lixo, voltando a classificá-la com grau de investimento.
“Isto [um eventual impacto negativo da recapitalização da CGD no défice] não muda a nossa avaliação das finanças públicas de Portugal,” garantem também os analistas da Fitch, ao ECO. “Nas nossas últimas previsões para o défice orçamental tínhamos já antecipado que o Eurostat tomaria essa decisão e foi por isso que a nossa projeção era a de um aumento do défice em 2017 para 2,8% do PIB, dos 2% em 2016,” explicam.
Isto [um eventual impacto negativo da recapitalização da CGD no défice] não muda a nossa avaliação das finanças públicas de Portugal.
A Fitch recorda que no relatório de julho estimou que o impacto seria de 1,1% e que, excluindo esta transferência de capital, o défice deste ano seria de 1,7%. Mas tal como a S&P, nota que o financiamento para a recapitalização foi desde logo realizado em 2016 e que por isso o impacto na dívida já se fez sentir no ano passado.
“Não há impacto desta injeção e/ou da decisão do Eurostat na dívida pública de 2017,” reforçam os analistas. “Em certa medida, esta é sobretudo uma decisão ‘contabilística’. O que que importa para nós é a tendência subjacente do défice orçamental,” argumentam. E a Fitch espera que este se “reduza para 1,4% em 2018 e 1,3% em 2019,” sublinha.
A Moody’s também já tinha garantido ao ECO que não daria relevância a um eventual efeito negativo da injeção de capitais públicos no défice. Para a Moody’s esta eventualidade tem um impacto no perfil de crédito “limitado”.
No máximo, estarão em causa quase quatro mil milhões de euros, o equivalente a 2,1% do PIB. Assumindo que o Governo cumpre a meta de 1,5% estabelecida para 2017, uma inclusão da totalidade deste montante nas contas implicaria registar um défice de 3,6%, acima do limite estabelecido pelo Tratado Orçamental. Tal como explicou ao ECO o Instituto Nacional de Estatística, o assunto ainda está em análise juntamente com os peritos do Eurostat. A decisão das autoridades estatísticas deverá ser conhecida nas próximas semanas.
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