Grupo EDP lidera perdas no PSI, com analistas desiludidos com ‘guidance’ conservador

Os resultados de 2025 ficaram ligeiramente acima do esperado, mas a manutenção das metas para este ano é vista como cautelosa, dadas as boas condições hídricas. EDP cai 2,18% e EDPR 3,33%.

Os resultados das cotadas do grupo EDP esta quinta-feira lideram as perdas no índice PSI, e em contraciclo com o setor da energia, com os analistas a aplaudirem os desempenhos de 2025 em termos de lucros e dívida líquidas, mas a classificarem a manutenção das perspetivas para 2026 como uma medida conservadora.

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As ações da ‘casa-mãe’ EDP recuam 2,18% para 4,338 euros cada, enquanto as da EDP Renováveis perdem 3,33% para 13,5 euros, pressionando o PSI para um recuo de 0,75%. O índice pan-europeu das utilities avança 0,15% tendo durante a manhã estabelecido um novo recorde histórico nos 572,02 pontos.

O RBC Capital Markets referiu que o EBITDA recorrente e o lucro líquido da EDP para 2025 “ficaram ligeiramente acima do esperado, com a dívida líquida ligeiramente abaixo”. Mas, segundo a nota do analista Fernando Garcia, citada pela Bloomberg, o guidance para 2026 dado no Capital Markets Day de 25 de novembro “é mantido de forma conservadora, apesar do nível atual dos reservatórios portugueses estar quase cheio“.

Na quarta-feira, a elétrica anunciou que obteve um resultado líquido de 1,15 mil milhões de euros em 2025, 44% acima dos 801 milhões de euros registados no ano anterior, refletindo o forte aumento do contributo da EDP Renováveis (550 milhões de euros), parcialmente compensado pela descida dos preços de venda de eletricidade em Portugal e Espanha e pela desvalorização do real brasileiro face ao euro.

Já esta quinta-feira, o CEO das duas empresas, Miguel Stilwell de Andrade sublinhou em teleconferência com os analistas que a EDP cumpriu as promessas aos investidores em 2025 e está em boa posição para repetir o feito este ano, suportada por boas condições hídricas e melhoria na visibilidade sobre a regulação em Portugal, Espanha e os EUA.

Na visão do Morgan Stanley, a manutenção do guidance deste ano “pode basear-se na suposição de condições hidrológicas normais, embora possa também sugerir que os recentes desenvolvimentos positivos foram compensados por ventos contrários nos preços da energia e no câmbio”.

Em relação à dívída líquida da EDP, cifrou-se em 15,4 mil milhões de euros no final de 2025, 1% abaixo do valor de 2024, “refletindo o forte desempenho do cash flow orgânico (+16% YoY) e a diminuição do investimento líquido, com foco em mercados de baixo risco”, segundo a empresa, com Stilwell de Andrade e sublinhar na apresentação aos analistas que ficou abaixo do guidance de perto de 16 mil milhões de euros.

Javier Garrido, analista do JP Morgan, vê a dívida líquida como “a maior surpresa” dos resultados e como o principal fator para a decisão da EDP antecipar o aumento dos dividendos em 2,5%. A liderança da EDP propõe um aumento de meio cêntimo no dividendo que a cotada deverá entregar aos acionistas em 2026. Se a proposta for aceite, este passa a ser de 20,5 cêntimos por ação.

 

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