CEO portugueses estão confiantes no crescimento da economia em 2026
A 29ª edição da CEO Survey, elaborada pela PwC, conclui que os líderes das empresas nacionais estão até mais confiantes no PIB português do que no global, mas só um terço espera aumento das receitas.
Os presidentes executivos (CEO) das empresas portuguesas estão mais confiantes no crescimento da economia nacional do que no aumento do PIB global. A maioria (74%) dos CEO está confiante de que a economia cresça em 2026, embora apenas um terço considere que essa perspetiva positiva também se reflita na subida das receitas da sua empresa.
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Estas são algumas das conclusões da 29ª edição da CEO Survey realizada pela consultora PwC e apresentada esta quinta-feira. Os principais resultados deste inquérito, que envolve mais de sete dezenas de gestores, estão a ser divulgados num evento no Palácio Sottomayor, em Lisboa, onde estão presentes o ex-ministro Luís Amado, Maria João Carioca (Galp) e Filipe de Botton (Logoplaste).
O 29º CEO Survey concluiu ainda que os CEO portugueses estão a gastar quase seis vezes mais o seu tempo em decisões de curto prazo do que de longo prazo, reduzindo o tempo para uma definição estratégica dos seus negócios num horizonte temporal mais alargado. Mais de metade (58%) do horário de trabalho é dedicado a decisões com horizonte inferior a um ano, acima de todas as comparações internacionais.
Na prática, só 10% do tempo é investido em decisões com impacto a cinco anos, o que significa metade da média mundial. Na visão da PwC, este desequilíbrio limita a capacidade de planeamento estratégico e transformação.
CEO Survey conclui que 48% dos CEO portugueses receiam não conseguir acompanhar o ritmo imposto pela evolução tecnológica; 38% têm dúvidas quanto à sustentabilidade do atual modelo de negócio no médio e longo prazos e 34% questionam capacidade de inovar — percentagens acima das médias globais.
Na apresentação pública do relatório, José Bizarro Duarte, partner da PwC, explicou que “para os próximos três anos, há uma confiança maior a nível global do que em Portugal” no crescimento das receitas das empresas, porque os gestores estão muito preocupados com a transformação digital. Se em 2025 as ciberameaças eram a segunda perceção de risco, “são agora o foco de preocupação para os próximos tempos”.

José Bizarro Duarte elencou os temas abordados no Fórum Económico Mundial de Davos em janeiro, mas explicou que “é importante compreender o contexto da economia portuguesa”, que é exposto nas conclusões do Eurobarómetro do último ano, onde se destacam as preocupações em torno da saúde, inflação, custos da habitação e imigração, que decorre “da escassez de mão-de-obra e importação de força de trabalho e medidas que a acompanham”.
A IA é um desafio global que todos temos, as empresas e o Estado. O desafio é na implementação e adoção de forma eficiente. Apenas 6% dos gestores considera que conseguiu reduzir custos e aumentar receitas, que no final do dia é o propósito. E 62% ainda não veem qualquer benefício da IA. Provavelmente, é porque não têm um roteiro, processos definidos nem adequada gestão de riscos.
Para Luís Filipe Barbosa, responsável pelo mercado de serviços financeiros na PwC Portugal, os resultados do 29º CEO Survey “mostram que existe, da parte dos CEO entrevistados, uma maior consciência dos desafios, mas ainda não estamos a transformar essa consciência em valor. Pelo menos de forma consistente. “As empresas portuguesas sabem que precisam de acelerar – na adoção da IA, no reforço da confiança dos stakeholders e na capacidade de se reinventarem, mas continuam condicionadas por pressões de curto prazo”, afirma.
IA com baixa maturidade
Sem surpresas, a tecnologia do momento ainda é foco de investimento. Pouco mais de três anos após o lançamento do ChatGPT, o retorno da aposta em IA persiste como uma luz ao fundo do túnel para a grande maioria das organizações, apesar de ser um fator de competitividade empresarial. A maior parte (67%) das empresas não registou qualquer impacto da IA nas receitas e 19% até reportaram um aumento de custo.
Logo, a IA continua numa fase inicial, ainda pouco orientada para resultados e na ótica da despesa em vez de alavanca de valor, segundo esta análise. Ainda assim, cerca de 48% dos CEO em Portugal referiram que aplicam a IA na orientação estratégica seguida dos produtos e serviços de alguma forma (limitada, moderada ou em grande medida). Por sua vez, a nível global, a principal área de aplicação da IA é na gestão da procura/vendas (54%) seguida dos serviços de suporte.

Na opinião do chairman global da PwC, “2026 está a configurar-se como um ano decisivo para a IA”. “Um pequeno grupo de empresas já está a converter a IA em retornos financeiros mensuráveis, enquanto muitas outras ainda enfrentam dificuldades para avançar além dos projetos‑piloto. Esta diferença começa agora a refletir‑se na confiança e na competitividade – e ampliará rapidamente para aqueles que não atuarem”, garante Mohamed Kande.
Portugueses alinhados com CEO globais (mas mais receosos)
Os receios dos CEO portugueses estão, em geral, alinhados com os dos homólogos mundiais. A nível global, os líderes empresariais demonstram preocupações semelhantes e também vislumbram um mundo repleto de desafios.
Os CEO internacionais estão significativamente menos confiantes nas perspetivas de crescimento a curto prazo para as suas empresas e mais preocupados com uma série de ameaças, incluindo volatilidade macroeconómica, riscos de cibersegurança e conflitos geopolíticos. Nesse contexto, estão a concentrar-se em oportunidades plurianuais para reinventar as suas empresas com vista ao crescimento e a avançar nos investimentos em IA, mesmo que os retornos imediatos sejam difíceis de alcançar.
Aliás, cerca de um terço (29%) do CEO demonstraram-se preocupados com a capacidade de inovação face a um futuro incerto. É neste tópico que as perspetivas nacionais até contrastam mais com as internacionais, porque apenas 16% das empresas portuguesas consideram a inovação uma componente crítica para a estratégia, sete pontos percentuais abaixo das referências mundiais.
E à medida que se debatem com uma reconfiguração industrial, investem na entrada em novos setores, como se tem verificado – das startups às multinacionais – na área da defesa, por exemplo. Nos últimos cinco anos, 42% dos CEO globais confirmaram que começaram a operar noutros segmentos de atividade económica.

O relatório da PwC foi elaborado através de 4.454 entrevistas, realizadas entre 30 de setembro e 10 de novembro de 2025 em 95 países. Dessa amostra de respostas, 1.271 foram oriundas de empresas da Europa Ocidental e 73 em Portugal.
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