Mais de dois milhões de casas arrendadas fogem aos impostos
As associações do setor defendem uma maior regulação para diminuir a evasão fiscal e combater a precariedade dos arrendatários, apesar de admitirem que existem “impostos a mais”.
Segundo o Ministério das Finanças, 1,4 milhões de contratos de arrendamento ou subarrendamento estão comunicados à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). Mas, na realidade, o número de casas arrendadas no país é muito maior. Ao todo, estima o Jornal de Notícias, serão mais de 2,2 milhões de arrendatários que não têm contrato declarado pelos senhorios junto do Fisco, quando há 3,7 milhões de casas arrendadas em Portugal.
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Em 2024, uma auditoria da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) detetou 60% dos inquilinos sem contrato de arrendamento registado ou vigente, o que significa que os dados do Governo dizem respeito a apenas 40% dos acordos comunicados. Apesar das recomendações da IGF para controlar o mercado paralelo, organizações como a OCDE continuam a alertar para um mercado de arrendamento “subdesenvolvido e fragmentado”, com apenas 12% de famílias a declararem viver em casas arrendadas, com os arrendamentos informais a poderem atingir os 60%.
“Estamos a falar de uma fuga ao Fisco generalizada. Os inquilinos não conseguem deduzir a renda em sede de IRS e usufruir dos benefícios fiscais a que têm direito”, diz o presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses (AIL), Pedro Ventura, que sugere a criação de uma “autoridade de fiscalização ou reguladora” para acompanhar o setor, bem como de uma “plataforma” de registo dos contratos de arrendamento. “Só esses devem ser considerados válidos, todos os outros são ilegais e devem ser penalizados”, acrescenta. Patrícia Maio, vice-presidente da Associação de Proprietários do Norte, embora veja na carga fiscal “asfixiante” uma explicação para a fuga ao Fisco, realça que os encargos devem ser “para todos” e corrobora a ideia de uma entidade reguladora.
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