PS volta a ser o parceiro preferencial do Governo no OE: “Não estão previstas reuniões com outras forças partidárias”

"O nosso foco é o diálogo com o partido que está aberto a poder viabilizar, que apresentou a sua visão e a quem vamos apresentar a nossa proposta irrecusável", garantiu o ministro da Presidência.

O PS voltou a ser o parceiro preferencial do Governo para negociar o Orçamento do Estado para 2025 (OE2025). A garantia foi dada esta quarta-feira pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, quando revelou que “não estão previstas, neste momento, reuniões com outras forças partidárias” além do PS.

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Para já, está apenas agendada um segundo encontro com o líder do PS, mas Leitão Amaro abriu a porta a novas rondas negociais: “Faremos todas as reuniões até ao último minuto para ter um OE aprovado”.

“O nosso foco é o diálogo com o partido que está aberto a poder viabilizar, que apresentou a sua visão e a quem vamos apresentar a nossa proposta irrecusável”, sublinhou Leitão Amaro, durante o briefing do Conselho de Ministros que antecede a segunda reunião que o primeiro-ministro e o líder do PS, no âmbito das negociações do OE

Leitão Amaro reconheceu que a descida do IRS Jovem e do IRC são duas linhas vermelhas para o PS, mas não esclareceu até onde o Governo irá ceder. “O maior partido da oposição assinalou esses dois temas onde gostava ver alterações”, indicou, atirando para a reunião desta quinta-feira ao final do dia mais novidades: “Já não faltam muitas horas e aguardaremos serenamente pela reunião já marcada entre o primeiro-ministro e o líder do PS. Não vou acrescentar mais nada aqui”.

Dentro da “margem pequena” orçamental, de 2,2 mil milhões de euros, o Governo vai tentar negociar o OE com o PS, lembrando, no entanto, que “quase toda a despesa está vinculada a pensões, dívida, direitos adquiridos, contratos preexistentes”.

“Sobra uma parte pequena de discricionariedade e já entregámos uma parte relevante, de 740 milhões de euros dos pouco mais de 2 mil milhões aos partidos da oposição, no Parlamento, em particular PS e Chega”.

Governo garante “neutralidade fiscal” do novo salário mínimo

Quanto ao risco de tributação em sede de IRS do novo salário mínimo, que vai saltar de 820 para 870 euros, caso o mínimo de existência, que é o montante até ao qual os rendimentos estão isentos, não seja atualizado, a ministra do Trabalho apenas disse que o Governo vai manter “a neutralidade fiscal”.

“O salário mínimo não paga IRS. Neste acordo, foi até inserida uma cláusula para garantir a neutralidade fiscal dos aumentos salariais”, indicou Maria do Rosário Palma Ramalho sem revelar se o mínimo de existência vai efetivamente subir dos atuais 11.480 euros, que corresponde a 14 vezes a atual retribuição mínima de 820 euros, para 12.180 euros, (14 vezes o salário mínimo de 870 euros). O ECO já questionou o Ministério das Finanças e o Ministério do Trabalho e ainda não obteve resposta.

A governante salientou ainda que “todos os anos há uma atualização das tabelas de IRS, tendo em conta a evolução do salário mínimo”. Contudo, este mecanismo diz respeito à retenção na fonte, isto é, aos adiantamentos que todos os meses trabalhadores dependentes e pensionistas entregam ao Estado e não ao imposto efetivamente pago.

Para que o salário mínimo continue totalmente isento de IRS é necessário que o mínimo de existência também seja atualizado.

(Notícia atualizada às 18h37)

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