Centeno bate o pé a Bruxelas. Carta de Portugal mantém meta para o défice estrutural
Na resposta a Bruxelas, Portugal usa os elogios das agências de rating para justificar as metas definidas na proposta do OE. Apesar das dúvidas, Centeno mantém redução de 0,3% no défice estrutural.
Portugal já respondeu a Bruxelas. O ministro das Finanças bate o pé e mantém a projeção que aponta para uma redução de 0,3% no défice estrutural, em 2019, aquém do ajustamento de 0,6% exigido pelas regras comunitárias. Os elogios da “agências de rating e do participantes no mercado” são usados pelas autoridades nacionais para justificar a manutenção das metas definidas na proposta de Orçamento do Estado, envida para Bruxelas no dia 15 de outubro.
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“O esforço de consolidação orçamental, com base no saldo estrutural incluído na proposta do Orçamento do Estado para 2019, é de 0,3% do PIB”, escreve Nuno Brito, o embaixador português junto da Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER). Uma afirmação que rebate os cálculos de Bruxelas, enviados numa carta a Portugal na semana passada, que davam conta de uma redução de apenas 0,2%.
Bruxelas pediu ao Executivo português que enviasse “informação adicional sobre a composição exata do esforço estrutural e dos desenvolvimentos na despesa previstos nos planos orçamentais para ver como evitar o risco de um desvio significativo face ao ajustamento estrutural recomendado em 2019 e em 2018 e 2019 em conjunto”. A resposta deveria seguir até esta segunda-feira. Portugal justifica as contas com “os impactos da contínua e cada vez mais vasta revisão da despesa pública, o que permitiu uma consolidação orçamental continuada ao longo dos últimos anos”. O esforço orçamental para 2019 “com base no saldo estrutural surge depois de um esforço acumulado de 1,7 pontos percentuais de 2016 para 2018”.
A missiva, assinada por Nuno Brito, tenta rebater ponto por ponto as questões levantadas por Bruxelas. Ao reparo de que o crescimento nominal da despesa líquida primária é de 3,4% no OE — “o que excede o crescimento máximo recomendado de 0,7%” –, Portugal responde dizendo que a meta para este indicador “também deve beneficiar” das políticas levadas a cabo pelo Executivo e deve “ser interpretada tendo em conta as constantes atualizações do esforço estrutural”. Portugal especifica uma “revisão acumulada das estimativas iniciais de cerca de 2,2 pontos percentuais entre 2016 e 2018”.
Em causa está ainda uma questão técnica. Para Portugal a “sensibilidade da estimativa” para o cumprimento ou não da despesa líquida primária face aos dados disponíveis para o ano base “merece mais clarificações”. E se a Comissão espera que o diálogo “construtivo” continue, Portugal garante que “está, sempre, totalmente disponível para levar a cabo discussões frutuosas”.
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