Primeiro soaram os alarmes, agora vêm as contas. Lucros dos CTT caem para quase metade

Francisco Lacerda presta contas esta quarta-feira depois do fecho da bolsa. Analistas não auguram boas notícias: o lucro anual terá afundado 40% em 2017 com queda nas receitas do correio postal.

Foi em outubro que Francisco Lacerda lançou o profit warning aos investidores: os lucros dos CTT CTT 0,98% estão a derrapar face ao previsto devido à deterioração do negócio do tráfego postal. Hoje é dia de prestação de contas anuais e os analistas estão à espera que a empresa “confirme o difícil enquadramento em que opera”. Estimam uma queda de lucro de 40% em 2017.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Os analistas sondados pela Reuters apontam para um lucro de cerca de 38,7 milhões de euros no exercício do ano passado. Isto traduz uma queda de 39,4% face ao resultado obtido um ano antes e ajudam a perceber por que razão a administração lançou um plano de reestruturação nos últimos meses para contornar a crise. Entre as medidas contam-se saídas de trabalhadores, fecho de lojas, cortes nos salários da administração e redução do dividendo.

Do lado do CaixaBI, as perspetivas são até mais pessimistas quando Lacerda anunciar as contas ao mercado após o fecho da bolsa de Lisboa. O lucro anual terá caído para metade: 30,6 milhões de euros. E isto depois de um quarto e último trimestre num ambiente operacional bastante desafiante, explicam os analistas daquele banco de investimento.

“De uma forma geral, e uma vez mais, antecipamos que os resultados do último trimestre do ano não tragam grandes novidades, confirmando o difícil enquadramento em que os CTT operam, nomeadamente no correio — volumes endereçados a caírem 6,2% em 2017 face ao período homólogo”, contextualiza a equipa de research do CaixaBI.

“Foco no Correio”

Os CTT têm sobretudo quatro áreas de negócio: Correio, Expresso & Encomendas, Serviços Financeiros e Banco CTT. Para os analistas do CaixaBI, “o foco está no correio”.

“As receitas de correio no quarto trimestre deverão ser de 130,3 milhões de euros (-3,9% em termos homólogos e +5,4% face ao trimestre anterior), com os volumes de correio endereçados a caírem 6% em termos homólogos em igual período. Para 2017, estimamos que as receitas desta área de negócio sejam de 523,7 milhões (-1,8% em termos homólogos), com os volumes de correio transportados a acumularem uma queda de 6,2% face ao ano passado”, estima o banco de investimento.

Pressionado por um segmento de correio que representa 75% do negócio dos CTT, Lacerda também não deverá contar com bons números na atividade de Serviços Financeiros, que compreende a comercialização dos certificados de poupança do Estado. Aqui as receitas terão recuado 12,7%, segundo as estimativas do CaixaBI.

Por outro lado, reforçando a aposta da administração naqueles que são considerados os dois pilares de crescimento do futuro, os CTT deverão registar subidas nas receitas do Expresso & Encomendas e Banco CTT para 131 milhões e oito milhões, respetivamente.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Primeiro soaram os alarmes, agora vêm as contas. Lucros dos CTT caem para quase metade

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião