Tempestades e Irão devem ter levado economia a estagnar no primeiro trimestre
INE divulga na quinta-feira a estimativa para o PIB do primeiro trimestre. Maioria dos economistas estima um crescimento em cadeia nulo, embora haja quem admita contração ou expansão de até 0,3%.
O crescimento da economia portuguesa deve ter travado no arranque de 2026, refletindo uma combinação de dois choques adversos: o comboio de tempestades que fustigou o país no início do ano e a guerra no Irão. O tom não é de otimismo entre a generalidade dos economistas, que esperam uma expansão nula do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre na comparação em cadeia, com riscos de contração, num contexto em que o consumo perde terreno e as exportações mostram sinais de enfraquecimento condicionadas pelo enquadramento internacional.
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Os dados concretos sobre o desempenho da economia portuguesa nos primeiros três meses do ano serão conhecidos na quinta-feira, quando o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgar a sua estimativa rápida. No entanto, os economistas consultados pelo ECO apontam para uma variação em cadeia entre -0,3% e 0,3%, com a maioria das instituições a esperar uma taxa nula, quando no quarto trimestre de 2025 se situou em 0,9%.
Contudo, a taxa de variação homóloga poderá situar-se entre 1,9% e 2,5%, o que compara com os 1,9% registados no quarto trimestre de 2025. No entanto, é preciso sublinhar que há projeções que ainda não levam em conta o impacto da guerra no Irão, como a do BPI.

“Os principais fatores de influência [do desempenho do PIB] terão sido as tempestades – que afetaram essencialmente a zona centro do país – e o início do conflito no Irão. Esta previsão tem um elevado grau de incerteza, na medida em que o grau de incerteza do impacto das tempestades é elevado, pois depende de um conjunto de fatores para os quais há pouca informação disponível, e foi elaborada antes do início da guerra no Irão, pelo que não estão incorporados os impactos da mesma”, explicam os economistas do BPI.
De acordo com uma leitura global das análises dos economistas, no lado da procura interna, o seu contributo deverá ter sido negativo ou, no melhor dos cenários, muito limitado, com o consumo privado a ser penalizado quer pelo impacto direto das tempestades no início do ano, quer pelo aumento da incerteza associado ao agravamento do conflito no Médio Oriente, bem como à dissipação dos efeitos positivos das medidas de apoio ao rendimento adotadas na última metade do ano passado.
“O consumo privado deverá desacelerar ou estagnar, após o impulso temporário associado às medidas fiscais que sustentaram o rendimento disponível no segundo semestre de 2025“, assinalam ao ECO os economistas do Santander Rui Constantino e Bruno Fernandes.
A isto soma-se a pressão inflacionista adicional decorrente da subida recente dos preços da energia, cujo impacto no poder de compra das famílias ainda não é nítido. Paralelamente, o investimento também deverá ter contribuído para o travão ao crescimento, com o Fórum para a Competitividade a prever um abrandamento devido ao “muito significativo aumento da incerteza” e da “subida das taxas de juro”.
O Barómetro CIP/ISEG, por exemplo, indica que a queda homóloga do índice de produção industrial em 4,4% (7,6%, excluindo a produção de energia) verificada em fevereiro “é já consequência das tempestades, cujo efeito se terá concentrado no primeiro trimestre”.
Ainda assim, os economistas do Santander admitem que “o investimento poderá beneficiar de um contributo positivo da variação de existências, mesmo que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registe uma ligeira contração“. E o crescimento das vendas de cimento, contabilizado pelo Banco de Portugal, verificado em março “foi suficiente para inverter a tendência de quebra homóloga registada em janeiro e fevereiro e gerar um crescimento homólogo de 2,1% no conjunto do trimestre”, assinala o Barómetro do ISEG/CIP.
Paralelamente, a procura externa também deverá penalizar o crescimento. A estimativa rápida do INE divulgada esta quarta-feira, revela que as exportações portuguesas de bens caíram 6,4% no primeiro trimestre em termos homólogos, enquanto as importações aumentaram 2,6%.
Segundo o INE, observou-se assim “um acentuar da trajetória de decréscimo das exportações e uma inversão da evolução das importações, resultando num agravamento do saldo da balança comercial”.
Os analistas do Millennium estimam ainda que o efeito de carry-over para 2026 corresponderá a 1,1 pontos percentuais.
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