Kristin. Ordem dos Advogados pede medidas urgentes ao Ministério da Justiça
Face à depressão Kristin e ao estado de calamidade, a Ordem de Advogados apresentou um conjunto de medidas junto do Governo para acautelar o funcionamento do sistema judicial.
A Ordem dos Advogados (OA) enviou um ofício esta sexta-feira ao Ministério da Justiça a solicitar medidas urgentes que “acautelem” o funcionamento do sistema judicial nas comarcas afetadas pela depressão Kristin e que colocou dezenas de concelhos em estado de calamidade.
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“É um fenómeno excecional que exige uma resposta proporcional no plano da justiça. São necessárias medidas normativas específicas que ajustem, de forma temporária, a atividade judiciária às restrições objetivas verificadas“, refere em comunicado a OA.
Entre as medidas pedidas pela OA está a suspensão e gestão de prazos processuais, devido aos constrangimentos ao acesso e utilização do sistema informático de suporte à atividade dos tribunais (Citius), bem como a impossibilidade prática de atos processuais por efeitos diretos do temporal, e ainda a conversão de diligências presenciais por videoconferências, “sempre que juridicamente admissível e tecnicamente viável”.
A OA solicita ainda a continuidade de serviço e atendimento mínimo, com a “definição de regimes de funcionamento mínimo dos tribunais e serviços do Ministério Público nas zonas afetadas, com canais alternativos para entrega de peças urgentes e indicação de contactos de contingência em caso de encerramento físico” e o reforço das infraestruturas críticas, como o Citius, SITAF, plataformas de videoconferência, e definição de protocolos de contingência para falhas de energia e comunicações.
Outro dos pontos destacados é a “coordenação institucional e segurança jurídica”, através de orientações articuladas com o Conselho Superior da Magistratura, o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, a Procuradoria-Geral da República, o IGFEJ e a DGAJ, “garantindo uniformidade nacional e proporcionalidade local”.
Segundo o bastonário João Massano, as medidas propostas asseguram o acesso ao direito e aos tribunais, a previsibilidade e confiança legítima na contagem de prazos, a proteção da segurança e saúde de magistrados, advogados, funcionários, demais profissionais forenses e utentes, e a continuidade da função jurisdicional perante restrições objetivas decorrentes de fenómeno meteorológico de gravidade excecional.
Em comunicado, a Ordem dos Advogados mostrou-se ainda disponível para organizar uma rede de apoio jurídico às vítimas do temporal.
“Muitas famílias vão enfrentar processos complexos — seguros, indemnizações, reconstrução, arrendamento — e a OA quer garantir que ninguém fica sem assistência jurídica por falta de meios. Para que este apoio tenha a dimensão necessária, entende-se que deve ser integrado no sistema de acesso ao direito e aos tribunais”, afirma João Massano.
O bastonário propõe ainda a criação de um mecanismo jurídico permanente de apoio extraordinário às vítimas de catástrofes. “Este mecanismo, envolvendo o Governo, as autarquias e a OA, integrado no sistema de acesso ao direito e aos tribunais, ficaria disponível para ser acionado de imediato sempre que necessário, evitando que se tenha de improvisar respostas em cada nova emergência”, explica.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
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