Caixa entrega 461 milhões ao Estado, Banco de Portugal dá zero. CP também dá dividendo

O Governo não conta com dividendos do Banco de Portugal em 2024. Já a Caixa entregará 461 milhões ao Estado, depois do dividendo recorde de 712 milhões deste ano.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) acabou de pagar um dividendo recorde na ordem dos 712 milhões de euros. Para o próximo ano, vai voltar a dar dinheiro ao Estado, mas bem menos. A proposta de Orçamento do Estado para 2024 prevê uma contribuição de 461 milhões do banco público. Já o Banco de Portugal não dará qualquer contributo, o que acontece pela primeira vez em muitos anos devido ao aperto da política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

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Outra novidade que consta da proposta orçamental que Fernando Medina entregou esta terça-feira no Parlamento é a Comboios de Portugal, de quem o ministro espera um dividendo “simbólico” de 1,8 milhões de euros. Já o Banco Português de Fomento não dá dividendo — na proposta para 2023 previa dividendos, mas o banco liderado por Celeste Hagatong também não deverá fazer qualquer distribuição ao acionista.

Em relação ao Banco de Portugal, o governador Mário Centeno já tinha avisado que que a instituição ia entrar “numa fase de resultados negativos” por conta das perdas relacionadas com o impacto da subida das taxas de juro no seu balanço. O banco central vai evitar prejuízos nos próximos anos porque vai usar provisões para levar os resultados a zero. O ministro das Finanças ainda contou com 238 milhões do Banco de Portugal este ano, mas vai deixar de receber nos próximos. É preciso recuar a 1992 para termos um ano de contas negativas no Banco de Portugal.

No que diz respeito à Caixa, faz duas semanas que entregou o maior dividendo da sua história no valor de 712 milhões de euros, que correspondem a 351 milhões de euros em numerário e 361 milhões relativos à entrega do edifício-sede do banco na Avenida João XXI, em Lisboa. Para 2024 o dividendo será de “apenas” 462 milhões. Os resultados dos bancos vão continuar a ser impulsionados pela alta das taxas de juro e a CGD também está a tirar partido do novo ciclo da política monetária.

Ao todo, os dividendos a pagar ao Estado pelas empresas públicas no próximo ano ascendem a 463 milhões de euros.

(Notícia atualizada às 15h16)

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