Comissão Europeia propõe medidas para formação anual de todos os trabalhadores adultos

  • Lusa
  • 10 Dezembro 2021

O braço executivo da União Europeia avançou com uma proposta de medidas para garantir formação anual a todos os trabalhadores adultos, uma das metas da Cimeira Social do Porto.

A Comissão Europeia apresentou esta sexta-feira propostas com vista a atingir o objetivo de todos os trabalhadores adultos receberem formação anual, uma das metas até 2030 acordadas pelos líderes da União Europeia na cimeira social do Porto, em maio passado.

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Recordando esse compromisso “carimbado” durante o principal evento da presidência portuguesa do Conselho da UE no primeiro semestre do ano, contemplado no plano de ação para a concretização do Pilar Europeu dos Direitos Sociais adotado pelos chefes de Estado e de Governo no Porto, o executivo comunitário diz estar a dar “um passo importante para ajudar os Estados-membros a alcançar essa meta” ao apresentar propostas sobre contas individuais de aprendizagem e sobre microcredenciais.

As contas individuais de aprendizagem são “carteiras” virtuais, estabelecidas pelas autoridades nacionais, para cada pessoa em idade ativa, e inclui os trabalhadores por conta de outrem, os trabalhadores por conta própria, os trabalhadores em formas atípicas de trabalho, os desempregados e as pessoas fora do mercado de trabalho.

Uma microcredencial é uma qualificação que atesta os resultados de aprendizagem obtidos através de um curso ou módulo curto e avaliado de forma transparente, podendo ser obtida através de cursos ministrados em regime presencial, em linha ou num formato misto.

Relativamente às contas individuais de aprendizagem, a proposta da Comissão visa “assegurar que todos tenham acesso a oportunidades de formação relevantes que sejam adaptadas às suas necessidades, ao longo da vida e independentemente de estarem ou não empregados atualmente”.

“Para o efeito, a proposta aborda os principais estrangulamentos para as pessoas embarcarem hoje em dia na formação — motivação, tempo e financiamento — solicitando aos Estados-membros, juntamente com os parceiros sociais, que criem contas individuais de aprendizagem e forneçam direitos de formação para todos os adultos em idade ativa”, lê-se nos documentos divulgados pelo executivo comunitário.

A Comissão quer também que os países “definam uma lista de formação relevante para o mercado de trabalho e de qualidade garantida que seja elegível para financiamento a partir das contas individuais de aprendizagem e a tornem acessível através de um registo digital, por exemplo a partir de um dispositivo móvel” e “ofereçam oportunidades de orientação profissional e validação de competências previamente adquiridas, bem como licenças de formação pagas”.

“O aspeto inovador desta proposta é que ela coloca o indivíduo diretamente no centro do desenvolvimento de competências”, argumenta a Comissão, que convida também os Estados-membros a “modular o financiamento de acordo com as necessidades de formação dos indivíduos”.

Quanto às microcredenciais, Bruxelas advoga que estas possam ser utilizadas independentemente das instituições, empresas, setores e fronteiras, propondo para o efeito que os Estados-Membros cheguem a acordo sobre uma definição comum de microcredenciais, elementos-padrão para a sua descrição, e princípios-chave para a sua conceção e emissão.

“O objetivo é assegurar que as microcredenciais sejam de alta qualidade e emitidas de forma transparente para criar confiança no que certificam. Isto deve apoiar a utilização de microcredenciais por aprendizes, trabalhadores e pessoas à procura de emprego que possam beneficiar delas”, indica a Comissão.

As propostas colocadas sobre a mesa pela Comissão Europeia terão agora de ser negociadas com o Conselho e, uma vez adotadas, o executivo comunitário compromete-se a apoiar os Estados-membros, parceiros sociais e outros atores relevantes a implementarem as recomendações, que não terão um cariz vinculativo.

“As propostas da Comissão sobre contas individuais de aprendizagem e microcredenciais ajudar-nos-ão a atingir o objetivo estabelecido no plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais de, até 2030, 60% de todos os adultos participarem em formações todos os anos. Temos de levar a sério a aprendizagem ao longo da vida na Europa. É o melhor investimento e é positivo para os trabalhadores, empregadores e para a economia no seu conjunto”, comentou o comissário europeu do Emprego e Direitos Sociais, Nicolas Schmit.

Definida pela presidência portuguesa como ponto alto do semestre, a Cimeira Social teve no centro da agenda o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, que prevê três grandes metas para 2030: ter pelo menos 78% da população empregada, 60% dos trabalhadores a receberem formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas, cinco milhões das quais crianças, em risco de pobreza e exclusão social.

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