Portugal cofunda Startup Nations Standard para ajudar startups e scaleups a ajudar na recuperação económica europeia
Líderes acreditam que startups e scaleups europeias serão chave no futuro da economia e da sociedade na União Europeia. Acordo é assinado no âmbito da presidência portuguesa da UE.
Líderes europeus de mais de 20 países, Portugal incluído, vão criar e cumprir um standard de excelência para startups, de forma a acelerar a recuperação económica local. O Startup Nations Standard materializa-se num compromisso de boas práticas e num índice de excelência, que visam a criação e desenvolvimento de empresas de base tecnológica. O documento foi assinado esta sexta-feira, no âmbito do Dia Digital da Europa, evento que acontece ao abrigo da presidência portuguesa da UE.
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Na prática, do Startup Nations Standard fazem parte um conjunto de recomendações específicas de políticas públicas que fomentem o empreendedorismo, a nível europeu, e que permitam construir um ecossistema de startups mais competitivo a nível global. Portugal é um dos países com mais iniciativas entre os “pré-requisitos”, uma lista de oito pontos essenciais nas respetivas políticas públicas. Os signatários deste acordo acreditam que as startups e as scaleups europeias podem ser chave na recuperação económica, com impacto tanto na economia como na sociedade dos países da União Europeia.
De acordo com dados da McKinsey, cerca de 36% das startups a nível mundial estão sediadas na Europa, mas o continente serve de base para apenas 14% dos unicórnios a nível mundial (empresas avaliadas em pelo menos mil milhões de dólares).
Preparado pelo presidente da Startup Portugal, Simon Schaefer, ao longo dos últimos dois anos e em conjunto com a Comissão Europeia, o protocolo é “um passo muito importante a nível de política pública para startups e empresas tecnológicas. Os Estados-membros signatários e a Comissão Europeia reconhecem a falta de sucesso da Europa e estão dispostos a criar parâmetros legais para melhorar a situação. Muitas coisas que sabemos que resultam, como algumas das iniciativas implementadas em Portugal ao longo dos últimos anos, vão finalmente começar a ser adotadas por toda a Europa”, assinala o responsável.
Os Estados-membros signatários e a Comissão Europeia reconhecem a falta de sucesso da Europa e estão dispostos a criar parâmetros legais para melhorar a situação.
Entre os signatários estão entidades como a Deutsche Startups, France Digitale, Scale Ireland e a Startup Estonia, fundos de investimento como Accel, Index Ventures e SeedCamp, e empresas como Cabify, Stripe, Wise e Supercell.
Conheça melhor os oito pontos da Startup Nations Standard:
- Começar uma empresa na UE num dia: um empreendedor tem de conseguir registar uma entidade legar, online ou offline, num dia apenas e por um custo de não mais de 100 euros. Além disso, sob a Single Digital Gateway, deve ser simplificada aos empreendedores o acesso a informação relevante e a todos os documentos necessários para, por exemplo, abrirem sucursais ou expandir os projetos no mercado único. Países como Portugal, a Dinamarca e Holanda têm iniciativas deste género.
- Atrair e reter talento: os vistos devem ser processados no período de um mês para fundadores de fora da UE cujos países tenham acordos com qualquer estado-membro e para trabalhadores de países externos à União Europeia cuja documentação tenha sido tratada pelas respetivas startups. Haverá também programas e incentivos para encorajar o regresso de talento europeu que esteja emigrado em países de fora da União Europeia. Os programa nacionais “Startup Visa” e “Tech Visa” são dados como exemplos deste item, assim como outros criados por França e pela Irlanda.
- Stock options: permitir às startups que concedam stock options sem direito de voto, para evitar uma excessiva dispersão de capital por shareholders.
- Inovação na regulação: incentivar políticas e leis que se dirijam explicitamente às startups e incentivem a aplicação do princípio “pensa pequeno primeiro”, evitando burocracia desnecessária. Um dos exemplos dado é o uso de programas que permitam que as inovações sejam testadas em cooperação com autoridades supervisoras. Países como a Dinamarca, a Alemanha e a Letónia já desenharam este tipo de estímulos à inovação.
- Contratação de I&D: não há qualquer barreira legal ou administrativa à compra de inovação. Os compradores e serviços de transferência de inovação são oficialmente encorajados a fazê-lo em startups. Os direitos de propriedade intelectual podem ficar do lado das startups mas a política deve assegurar que a tecnologia desenvolvida em universidades e institutos de pesquisa pode ser transferida, sem obstáculos, para o desenvolvimento de negócios em startups ou spin-offs. A Suécia e a Bélgica são exemplares nesta matéria.
- Acesso a financiamento: todos os membros devem ter acesso direto a financiamento europeu de mecanismos como o BEI, o RRF e através de outros veículos bancários ou de capital de risco. Os signatários do documento compromentem-se ainda a criar ou melhorar iniciativas políticas que aumentem a quantidade e diversidade de capital privado disponível para investimento em startups.
- Inclusão social, diversidade e proteção dos valores democráticos: mais atenção a questões ligadas à diversidade e inclusão, promovendo role models, incentivos para a contratação de diversidade étnica, de raça, género, religião, posição política, idade e orientação sexual pelas startups e políticas que garantam que fundadores com menos privilégios possam fazer crescer as suas empresas.
- Digital-First: as interações de todos os dias entre startups e autoridades, como a criação de empresas, impostos, oportunidades, identificação eletrónica e assinaturas digitais deve ser desenhado de uma maneira pensada digitalmente. Programas como o E-Government, da Estónia, são exemplos nesta matéria.
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