PS propõe acesso a dados do Fisco para validar apoios comunitários às empresas

Os socialistas querem que a Autoridade Tributária forneça dados que permitam à Agência para o Desenvolvimento e a Coesão validar os apoios comunitários a dar às empresas.

O grupo parlamentar do Partido Socialista avançou com uma proposta para o Orçamento do Estado para 2021 (OE 2021) onde prevê o acesso por parte da Agência para o Desenvolvimento e a Coesão aos dados da Autoridade Tributária para que possa validar os apoios comunitários que serão dados às empresas ao abrigo do programa Apoiar.pt.

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Para efeitos de validação dos apoios concedidos ao abrigo do Sistema de Incentivos à Liquidez das Micro e Pequenas Empresas, designado por Apoiar.pt, incluindo os respetivos subprogramas, a AD&C solicita à AT, por transmissão eletrónica de dados, e a AT confirma, através de resposta positiva (S) ou negativa (N)”, lê-se na proposta dos socialistas entregue na passada sexta-feira.

Caso a proposta seja aprovada, o Fisco dará informação sobre três vertentes da candidatura que as empresas têm de apresentar para aceder aos apoios europeus: a quebra de faturação determinada em % das faturas comunicadas através do e-Fatura; o montante da quebra de faturação; e a situação relativamente à atividade.

No caso específico do subprograma designado ‘Apoiar Restauração.pt’ a transmissão eletrónica pode incluir o montante de faturação comunicada através do e-Fatura relativo ao período relevante para cálculo e atribuição do apoio“, esclarece a proposta.

Em causa está o novo programa Apoiar.pt, que vai disponibilizar 750 milhões de euros em subsídios a fundo perdido às micro e pequenas empresas dos setores mais afetados pela pandemia. Para ter acesso a estes apoios a fundo perdido, é preciso ter verificado uma quebra de, pelo menos, 25% nos primeiros nove meses de 2020 e que tenham a situação fiscal e contributiva regularizada, o que será verificado pelo Estado através do acesso aos dados do Fisco.

Este é apoio é focado no setor do comércio, principalmente na restauração, que ainda terá direito a um outro apoio: uma compensação parcial das receitas perdidas nos dois fins de semana de recolhimento obrigatório a partir das 13h00. Este apoio, que se junta aos anteriores, deverá rondar os 25 milhões de euros. Ao todo, a restauração terá um estímulo de 1.103 milhões de euros, dos quais 500 milhões a fundo perdido, de acordo com o ministro das Economia, Pedro Siza Vieira.

A proposta do PS refere ainda que deverá ser celebrado um protocolo entre a Agência e a AT, cumprindo as regras do RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados), e que a interconexão de dados produz efeitos a 16 de novembro deste ano, caso seja aprovada pelo Parlamento.

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