Privados não querem que ADSE funcione como demais seguros, diz João Proença

  • ECO
  • 24 Fevereiro 2019

João Proença sublinha que o fim do processo de regularização das faturas passadas só acontecerá quando forem publicadas as tabelas com os preços máximos, o que os privados têm vindo a adiar.

O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE sublinha que o fim do processo de regularizações das faturas passadas teria de implicar a adoção de mecanismos semelhantes aos usados pelos seguros privados de saúde. O problema, salienta João Proença em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, é que os hospitais privados não querem que tal aconteça.

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“Queremos tabelas com preços máximos, chamados os preços fechados nas intervenções cirúrgicas, os preços que podem praticar nas próteses, nos medicamentos hospitalares e queremos um regime de autorizações prévias”, defende o antigo secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), explicando que, no fundo, estaria em causa a fixação de “tabelas como as que existem no privado”.

No entanto, João Proença nota que não é esse o desejo dos estabelecimentos hospitalares privados. “Estes cinco grupos privados andaram num processo dilatório, quanto mais tarde melhor. Tentaram por todos os meios evitar a publicação das tabelas e as autorizações prévias“.

E é por isso, explica o responsável pela ADSE, que as tabelas ainda não foram publicadas, estando ainda em curso o processo de regularização das faturas passadas. “Como as tabelas e autorizações prévias que a ADSE dispõe com preços fechados são muito poucas, tem de recorrer às regularizações”, reforça, referindo que a publicação das tabelas deverá significar o fim desse processo de regularização.

A ADSE exigiu aos privados o pagamento de 38 milhões de euros por excesso de faturação, o que levou a tensões com alguns dos nomes mais sonantes do setor (nomeadamente a Luz Saúde e a José de Mello Saúde).Essas instituições ameaçaram mesmo romper as convenções acordadas com a ADSE. Entretanto, ambas as partes regressaram ao diálogo, sendo os temas centrais dessa discussão o estabelecimento de uma tabela de preços e a regularização dos preços dos atos médicos a posteriori.

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