Só houve 304 candidaturas ao Ensino Superior no primeiro dia. Há um ano foram 10 mil
O primeiro dia das candidaturas ao ensino superior terminou com apenas 304 candidatos, numa altura em que milhares de alunos aguardam pela revisão das classificações dos exames nacionais.
Apenas 304 alunos submeteram a candidatura no primeiro dia da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, segundo dados da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). No arranque do concurso do ano passado, tinham sido registados 10.183 candidatos.
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A 1.ª fase do concurso nacional arrancou a 20 de julho e decorre até 6 de agosto, disponibilizando cerca de 56 mil vagas, numa altura em que milhares de alunos continuam à espera da revisão das classificações dos exames nacionais, na sequência dos problemas registados no processo de classificação digital.
A quebra no número de candidaturas no primeiro dia ocorre num contexto de atrasos provocados pelos problemas na correção digital dos exames nacionais, que deixaram milhares de alunos sem todas as classificações necessárias para decidir se avançavam já para o concurso.
Este ano, pela primeira vez, os alunos do 11.º e 12.º anos realizaram os exames em papel, mas as cerca de 290 mil provas foram digitalizadas para correção eletrónica.
O processo enfrentou dificuldades desde o início, com falhas de acesso à plataforma, erros na digitalização das provas e respostas incompletas ou trocadas, obrigando ao adiamento da divulgação dos resultados.
As pautas foram afixadas na passada sexta-feira, mas milhares de classificações ficaram por atribuir. Além disso, um erro na parametrização de uma questão da versão 2 do exame de Física e Química A levou o Júri Nacional de Exames (JNE) a rever as classificações de 12.613 alunos, anunciou o ministro da Educação.
Também na disciplina de Geografia A foi detetado um erro na matriz de classificação da versão 2 da prova, o que levou o JNE a prolongar o prazo de inscrição na segunda fase do exame.
O elevado número de pedidos de reapreciação levou também a Escola Secundária Luís de Camões a pedir ajuda a encarregados de educação, que sejam professores, para apoiar os alunos, depois de ter recebido mais de 900 pedidos de consulta de provas.
Esta terça-feira, o Presidente da República, António José Seguro, afirmou que “nenhum aluno pode ser prejudicado” pelas falhas técnicas e administrativas registadas nos exames nacionais e defendeu que sejam retiradas lições deste processo para evitar novos constrangimentos, nomeadamente na segunda fase.
As declarações de Seguro surgem no mesmo dia em que o ministro da Educação recusou que a digitalização dos exames tenha sido um “experimentalismo”, mas admitiu que há alunos já prejudicados, justificando a criação de uma época especial em setembro.
Fernando Alexandre anunciou ainda que todos os alunos terão as classificações finais até ao final desta semana e que as orientações relativas ao calendário da época especial seriam divulgadas ainda esta terça-feira. O ministro admitiu igualmente que o calendário de acesso ao ensino superior poderá sofrer ajustamentos. “A data final [da época especial], para já, é 14 de setembro, mas terá de ser prolongada por mais alguns dias”, afirmou.
Também esta terça-feira, mais de 20 associações de pais da Grande Lisboa anunciaram estar a preparar uma ação judicial contra o Estado, alegando que as falhas nos exames nacionais criaram desigualdades entre alunos e violaram direitos constitucionais.
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