Irão “pronto para a guerra” se diplomacia com EUA falhar

  • Lusa e ECO
  • 1 Julho 2026

Depois de assinar o memorando de entendimento com os EUA a 17 de junho, o Irão já exportou mais de 40 milhões de barris de petróleo, calcula ainda o chefe da equipa negocial.

O chefe da equipa negocial do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a República Islâmica dá prioridade ao diálogo com os Estados Unidos, mas continua pronta para a “guerra”.

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“Damos prioridade ao diálogo, mas se este diálogo falhar, também estamos prontos para a guerra”, disse Ghalibaf, que é ainda presidente do Parlamento, numa entrevista transmitida hoje pela televisão estatal.

As declarações surgem enquanto delegações iranianas e norte-americanas têm agendadas reuniões separadas com o Qatar, país que está a mediar o conflito com o Paquistão, sobre um acordo de paz.

Na entrevista, Ghalibaf afirmou ainda que o Irão não conseguiu exportar “um único barril de petróleo” durante o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, mas que depois do fim deste retomou os envios.

Após a assinatura do memorando de entendimento com os Estados Unidos a 17 de junho, “exportámos mais de 40 milhões de barris de petróleo”, enquanto nos 50 a 60 dias anteriores o país foi “completamente incapaz de exportar sequer um único barril de petróleo”, disse Ghalibaf.

O memorando de entendimento assinado em 17 de junho por Estados Unidos e Irão, que suspendeu as hostilidades mais de três meses após o início do conflito entre os dois lados, estipula que Teerão não irá desenvolver armas nucleares.

O texto prevê também o estabelecimento de um mecanismo para processar os ‘stocks’ iranianos de urânio altamente enriquecido, “no mínimo, por um método de diluição no local sob a supervisão da AIEA”.

Ao abrigo do memorando, as partes têm, a partir da assinatura do documento, 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo.

As negociações entre Irão e Estados Unidos, que têm sido mediadas pelo Paquistão com apoio de outros países do Médio Oriente, estão centradas no programa nuclear iraniano e no futuro do estreito de Ormuz, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.

O diálogo foi ameaçado nos últimos dias por ataques de ambos os lados, bem como pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.

O Qatar, mediador no conflito Irão-Estados Unidos, disse esta terça-feira que não estão planeadas reuniões de alto nível nem conversações diretas nos próximos dias em Doha, para onde Washington e Irão enviaram representantes.

“Que eu saiba, não está agendado nenhum encontro direto entre as duas partes nos próximos dias”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Qatar, Majed Al Ansari, aos jornalistas, acrescentando que a equipa norte-americana ia reunir-se com mediadores. “Que eu saiba, não há nenhuma reunião de alto nível entre os dois lados”, reforçou.

Os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, já se reuniram com mediadores do Qatar em Doha para discutir o progresso das negociações, adiantou.

“Estão aqui em Doha para se reunirem com mediadores e responsáveis do Qatar, e as discussões vão centrar-se em todas as questões regionais (…) incluindo, claro, negociações com o Irão, mas também com o Líbano”, disse Al Ansari. “Eles não estão aqui para negociações com os iranianos”, afirmou.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, insistiu que tal reunião teria lugar, algo que Teerão sempre negou.

Teerão reitera soberania sobre estreito de Ormuz

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, voltou a defender a soberania do Irão sobre o estreito de Ormuz, acrescentando que Teerão retomou as exportações de crude.

“Em caso algum o Irão vai abdicar dos direitos sobre o estreito de Ormuz. Estas são as nossas águas territoriais”, disse Qalibaf numa entrevista à televisão estatal iraniana na noite de terça-feira.

Na mesma entrevista, o presidente do Parlamento do Irão referiu que o petróleo iraniano está a ser vendido ao preço do Brent, a referência europeia para o petróleo bruto.

Mohammad Baqer Qalibaf, que atua como negociador principal nas conversações de paz com os Estados Unidos, frisou que o Estreito de Ormuz é o maior “instrumento de poder” do Irão que considerou “dádiva divina”.

Sobre o estreito de Ormuz, via de transporte marítimo no Golfo Pérsico, o presidente do Parlamento referiu também a intenção do Irão em cobrar pelos serviços de segurança e navegação.

Neste sentido, explicou que, de acordo com o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos, a navegação comercial através do estreito ficaria isento de taxas por um período de apenas 60 dias, enquanto as partes negoceiam um acordo definitivo.

Em contrapartida, Baqer Qalibaf afirmou que Washington suspendeu o bloqueio naval imposto ao Irão, permitindo ao país retomar as exportações de petróleo.

Quanto ao abrandamento das sanções sobre o petróleo iraniano e derivados, Qalibaf declarou que o petróleo bruto do Irão está a ser vendido ao preço internacional do Brent, após quase duas décadas em que Teerão foi forçada a vender com desconto devido às sanções internacionais.

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