Reembolsos antecipados no crédito da casa recuaram 7% no ano passado

Ainda assim, famílias pagaram 8,4 mil milhões ao banco antes do fim do contrato em 2025. Também as renegociações caíram e pelo mesmo motivo: a descida das taxas de juro.

Na primeira metade de 2025, o Banco Central Europeu (BCE) continuou a descer as taxas de juro e por causa disso os portugueses tiveram menos pressa (e menos incentivos) em reembolsar o crédito da casa. Ainda assim, as famílias pagaram ao banco cerca de 8,4 mil milhões de euros antes do fim dos contratos hipotecários no ano passado.

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Trata-se de uma redução de 7% em relação aos montantes registados em 2024, ano em que já se tinha observado uma descida nos reembolsos antecipados – depois do valor recorde de 11,2 mil milhões de euros em 2023. Estes dados constam do Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito de 2024, divulgado esta segunda-feira pelo Banco de Portugal.

Esta evolução coincidiu com um quadro de descida das taxas de juro aplicadas aos contratos, que se deu sobretudo durante o primeiro semestre e refletindo o alívio da política monetária do BCE entre junho de 2024 e junho de 2025.

O alívio dos encargos com a casa fez com que as famílias tivessem naturalmente menos incentivos para amortizarem os seus créditos antes do prazo, segundo explica o supervisor. Além de que muitas delas já o tinham feito nos anos anteriores e em grande volume.

O Banco de Portugal salienta que os valores de 2025 se aproximaram dos níveis registados em 2022, antes do impacto da suspensão temporária da comissão por reembolso antecipado, medida que cessou a 31 de dezembro de 2025. O montante médio por reembolso aumentou de 49,2 mil euros para 54,6 mil euros, de acordo com o mesmo relatório.

Os reembolsos totais tiveram uma queda de 3,6%: quase 7,5 mil milhões de euros foram amortizados antecipadamente de forma a saldar todo o montante em dívida. Já os reembolsos parciais caíram de forma mais expressiva: atingiram os 871 milhões de euros, menos 29,7% em termos homólogos.

Renegociações caem mais de 26%

A descida das taxas também ajuda a explicar a redução acentuada das renegociações de contratos de empréstimo à habitação verificada no ano passado.

O montante de crédito renegociado caiu 26,4%, atingindo os 5,1 mil milhões de euros, com o número de contratos renegociados a recuaram a um ritmo aproximado: 45,5 mil contratos, menos 27% em termos homólogos.

As renegociações aproximaram-se dos valores observados em 2022, “num contexto de descida das taxas de juro, o que tendencialmente diminui o incentivo à renegociação do crédito, por a redução do nível dos indexantes se traduzir na diminuição das prestações de crédito em contratos a taxa variável”, adianta o supervisor.

Na maioria das renegociações foi alterada apenas uma condição, representando 55,2% do total das renegociações. Dentro deste universo, a condição mais renegociada foi o spread.

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