Acordo iminente no Médio Oriente? Veja as reações nos mercados financeiros
O preço do Brent derrapou para abaixo do patamar dos 100 dólares e as ações europeias abriram em alta, mas os analistas (e Trump) alertam para alguma cautela pois o acordo pode demorar.
Otimismo, mas com cautela q.b. O fim de semana trouxe novidades na guerra no Médio Oriente – principalmente o anúncio de Donald Trump que um acordo com o Irão está “em grande parte negociado” e que poderá reabrir o crucial Estreito de Ormuz – e os investidores estão a reagir de forma positiva, com os preços do petróleo a recuarem e os das ações asiáticas e europeias a subirem.
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A cautela explica-se, contudo, com o nervosismo perante a situação e os analistas realçam que várias rondas de negociações já colapsaram nas últimas semanas. Os iranianos insistem em manter o controlo do Estreito e o próprio Donald Trump alertou no domingo que instruiu os seus representantes diplomáticos a não se apressarem a chegar a um acordo porque “o tempo está do nosso lado”.
“O bloqueio permanecerá em pleno vigor e efeito até que se chegue a um acordo, este seja certificado e assinado. Ambas as partes devem levar o tempo que for preciso e fazer as coisas como deve ser”, escreveu Trump na rede Truth Social. “Não pode haver erros! A nossa relação com o Irão está a tornar-se muito mais profissional e produtiva”.
Veja aqui as reações nos diferentes mercados de ativos esta segunda-feira:
Brent abaixo dos 100 dólares
Os preços do petróleo tocaram nos níveis mais baixos desde 7 de maio no início da sessão. Os futuros do barril de Brent – referência para a Europa – descem 4,60%, para 98,78 dólares por , enquanto os futuros do West Texas Intermediate dos EUA recuam 5,08% para 91,73 dólares por barril.
“Apesar de todas as reservas e riscos que continuam a pairar sobre o acordo de paz e o Estreito de Ormuz, há agora alguma luz ao fundo do túnel, o que trará algum alívio a curto prazo nos preços do petróleo”, afirmou Saul Kavonic, analista da MST Marquee, à Reuters.
Bolsa de Tóquio em novo pico
O principal índice da Bolsa de Tóquio, o Nikkei, fechou esta segunda-feira a subir 2,87%, registando um recorde histórico acima dos 65.000 pontos, impulsionado pelo setor dos semicondutores e pelas expectativas do fim da guerra no Irão.
O indicador, que agrupa os 225 títulos mais representativos do mercado, somou 1.819,12 pontos, atingindo 65.158,19 pontos, depois de ter ultrapassado ao longo do dia as barreiras dos 64.000 e, posteriormente, dos 65.000 pontos pela primeira vez. O índice mais abrangente, o Topix, que inclui as empresas do setor principal, as de maior capitalização, cresceu 1,29%, ou 50,11 pontos, para 3.942,57 unidades.
Ações europeias em máximos de dois meses
As bolsas europeias abriram nos níveis mais altos em mais de dois meses, impulsionadas por sinais sobre o fim do conflito no Médio Oriente, que atenuam as preocupações com a inflação e uma desaceleração da economia global.
O índice pan-europeu STOXX 600 sobe 0,61%, para 628,93 pontos, sendo negociado a um nível pouco abaixo do máximo histórico atingido no final de fevereiro, pouco antes do início da guerra no Médio Oriente. Destaque para o setor da aviação, com as ações da Air France – KLM a dispararem 7,4% e as das Lufthansa a subirem 3,9%, animadas pelo recuo do preço do petróleo.
Entre as principais praças europeias, as de Paris e Frankfurt lideram com subidas ligeiramente acima de 1%.
As bolsas nos Estados Unidos e no Reino Unido estão encerradas esta segunda-feira, devido a feriados.
Sinais de acordo impulsionam metais
O preço do ouro sobe 1,16, para 4.559,07 dólares por onça com a perspetiva de um acordo de paz no Golfo, enquanto o da prata avança 2.3% para 1.966,59 dólares por onça.
“Trump tem vindo a alimentar as esperanças do mercado quanto a algum tipo de acordo com o Irão, o que poderia levar à reabertura do Estreito de Ormuz. Essa perspetiva tem pesado sobre os preços do petróleo e, por extensão, dado ao ouro um impulso bem-vindo do ponto de vista da inflação”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade, à Reuters.
Dólar em ligeiro recuo face a moedas mais ‘arriscadas’
O dólar manteve-se em torno dos seus níveis mais baixos da semana durante as negociações asiáticas desta segunda-feira, à medida que as esperanças de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz empurraram os preços do petróleo para abaixo dos 100 dólares por barril.
Face ao iene, o dólar americano desceu 0,2% para 158,9 ienes, enquanto o euro subia 0,3% para 1,1636 dólares e a libra esterlina valorizava 0,3% para 1,3476 dólares.
“Há sinais iniciais de que o apetite pelo risco continua a ser favorável, com as primeiras negociações em Sydney a revelarem uma onda de vendas generalizada do dólar americano, beneficiando, consequentemente, moedas consideradas mais ‘arriscadas’, como o dólar australiano”, escreveram os analistas do Westpac numa nota de pesquisa.
O índice do dólar americano, que mede a força do dólar face a um cabaz de seis moedas, caiu 0,1% para um mínimo intradiário de 98,95, o nível mais fraco desde 18 de maio.
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