IRGAwards. Lideranças e tecnologia são garante da sustentabilidade

MEO, NOS e Fundação Champalimaud têm três dos projetos finalistas do prémio Sustentabilidade nos IRGAwards. Ocasião para conhecer o que está no terreno e para debater o momento do ESG.

Talk IRGA Awards 2026. Da esquerda para a direita, Tiago Freire, subdiretor do ECO, Catarina Corte-Real, Joana Lamego, Luísa Jervell e Afonso ArnaldoHugo Amaral/ECO

A morte da sustentabilidade foi manifestamente exagerada. A frase original é de Mark Twain, foi sendo adaptada ao longo dos anos (por exemplo, o “manifestamente” não constava) mas aplica-se que nem uma luva ao momento atual da sustentabilidade empresarial. Na opinião de Afonso Arnaldo, partner da Deloitte, os últimos anos de ofensiva retórica, sobretudo por parte da atual administração de Donald Trump, levaram a uma comunicação mais cuidada e eventualmente mais discreta, mas considera que as empresas não mudaram o seu caminho em busca de práticas mais sustentáveis.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Este foi um dos temas do debate realizado do Estúdio ECO, destinado a conhecer os projetos finalistas ao prémio Sustentabilidade nos IRGAwards deste ano. No painel, além do partner da Deloitte, estiveram Catarina Corte-Real, diretora de sustentabilidade da MEO; Luísa Jervell, diretora de sustentabilidade da NOS; e Joana Lamego, diretora da equipa de desenvolvimento de investigação estratégica da Fundação Champalimaud. E a conclusão foi unânime: o caminho feito até aqui não volta para trás.

“Isto são temas de sobrevivência. Não é tanto o tema daquilo que é bonito ter, é mais que isso. É um tema de sobrevivência, de inteligência sobre a minha manutenção enquanto empresa e daquilo que é o meu futuro. Não há perda de força naquilo que vai sendo feito, porque também o conceito de sustentabilidade vai um pouco além daquilo que às vezes pensamos, é muito mais transversal”, explica Afonso Arnaldo.

Sobre se as empresas europeias continuam a fazer o seu caminho, apesar de algum discurso político ter mudado, é claro: “Não é só as europeias e as portuguesas, são as próprias empresas dos Estados Unidos. Pelo menos daquilo que é a minha perceção, elas poderão, neste momento estar mais discretas naquilo que fazem, publicitar menos, ser mais discretas naquilo que é tornar público aquilo que vão fazendo”, mas as práticas não voltaram para trás.

Talk IRGA Awards 2026. Luísa Jervell e Afonso ArnaldoHugo Amaral/ECO

E num momento em que a tecnologia acelera, esta pode ser uma aliada neste processo, ainda que o motor vá continuar a ser o mesmo de antes, a liderança das empresas e a orientação estratégica das mesmas. “A tecnologia acho que é um motor mas o acelerador é muito mais, no fundo, a consciência, ou seja, termos organizações que conseguem pensar e isto estar imbuído no cerne da organização, os temas de sustentabilidade. É uma forma de olhar o mundo, é uma forma de posicionamento das empresas e é uma forma de antecipar riscos, claramente antecipar riscos”, afirma Catarina Corte-Real.

Para Joana Lamego, “a tecnologia vai permitir mesmo escalarmos aqui soluções que sejam muito úteis para a sociedade, para o clima também. Claro que a tecnologia tem que ser utilizada com ética e isto é fundamental. A tecnologia é o acelerador, mas a ética tem que nos dar o caminho e guiar-nos. Estou com a Catarina quando fala do tema das lideranças e do mindset que tem que existir”.

O tema da sustentabilidade acredito mesmo que só escala se nós tivermos incorporado em tudo o que fazemos, na forma como nós trabalhamos, como criamos valor, como inovamos”, defende Luísa Jervell, que salienta outro fator importante na área da sustentabilidade, o seu caráter colaborativo, dentro e fora dos setores.

No que toca aos projetos a concurso, com os vencedores a serem conhecidos na gala desta quinta-feira, há temas de energia, de descarbonização, redução do desperdício e ainda inclusão social.

No caso do projeto da Fundação MEO, a ideia é “permitir às pessoas com deficiência, seja ela motora, cognitiva, neurodivergente ou sensorial, que consigam assistir a espetáculos, concertos, num ambiente que lhes seja confortável, ou seja, num ambiente seguro, que elas se sintam autónomas e que se sintam no seu ambiente natural”, explica a diretora de sustentabilidade da MEO.

No que toca à Fundação Champalimaud, “quando começamos a pensar neste setor, de facto, há aqui uma grande responsabilidade de tentar reduzir, mitigar aquilo que estamos a emitir em termos da pegada carbónica, para que também possamos atuar na prevenção. A Fundação Champalimaud tem essa preocupação de dar saúde às pessoas, com qualidade de vida. E, portanto, temos que atuar na prevenção daqueles fatores que sabemos que estão a impactar a saúde no futuro, nas gerações futuras”, explica Joana Lamego.

O projeto pretende cortar em 50% as emissões relacionadas com os exames de imagiologia.

Talk IRGA Awards 2026. Catarina Corte-Real e Joana LamegoHugo Amaral/ECO

Já a NOS traz a concurso um projeto em conjunto com a Sumol Compal, com base numa “fábrica 5G”, procurando aumentar a eficiência e reduzir o desperdício. “Os primeiros números que tivemos foram logo de 10% de mais eficiência, de redução de desperdício de 15%, portanto, muitas horas também poupadas de ineficiências que existiam e também muito mais litros que podem ser produzidos nas mesmas linhas de produção”, detalha Luísa Jervell.

Os quatro projetos finalistas são os seguintes:

  • EDP | Projeto: Moonshot Next Best Action/ Option (Modelo digital de next best action na app da EDP que personaliza recomendações energéticas com base em dados de consumo, comportamento e contexto, visando eficiência energética, redução de custos e maior engagement do cliente)
  • Fundação Champalimaud | Projeto: Halving the Carbon Footprint of Diagnostic Imaging (Iniciativa de descarbonização do imaging clínico com objetivo de reduzir 50% das emissões até 2028, baseada em LCA, eficiência operacional, circularidade e energia renovável, em parceria com Philips e validação independente da Deloitte)
  • Fundação MEO | Projeto: Música com Sentido (projeto que promove acessibilidade em eventos culturais (concertos/festivais), através de soluções como LGP, audiodescrição e tecnologia sensorial, com envolvimento de parceiros técnicos e promotores culturais. Foca-se na inclusão de pessoas com deficiência, eliminando barreiras físicas e sensoriais.)
  • NOS | Projeto: 5G enabler de uma indústria mais eficiente (com Sumol Compal) (Implementação de sensorização e conectividade 5G na fábrica da Sumol Compal para monitorização em tempo real das linhas de produção, aumentando eficiência, reduzindo desperdício e suportando decisões operacionais mais rápidas.)

Assista aqui ao debate, na íntegra:

 

 

 

 

 

 

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

IRGAwards. Lideranças e tecnologia são garante da sustentabilidade

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião