Operação Babel. Antigo vice-presidente de Gaia condenado a oito anos e meio de prisão
Antigo vice-presidente no Executivo do socialista Eduardo Vítor Rodrigues, Patrocínio Azevedo foi condenado no âmbito da operação Babel. Ex-autarca diz que nada fez de errado e vai recorrer.
O ex-vice-presidente da Câmara de Gaia Patrocínio Azevedo foi, nesta sexta-feira, condenado a oito anos e meio de prisão no âmbito da Operação Babel, relacionada com a viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanísticos naquele concelho.
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Na leitura do acórdão, no Tribunal de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, a presidente do coletivo de juízes disse que o tribunal ficou “com a convicção segura” do envolvimento nos factos dos arguidos Patrocínio Azevedo, do empresário do ramo imobiliário Paulo Malafaia, do fundador do grupo Fortera, Elad Dror, e do advogado João Lopes, este no papel de intermediário entre o ex-autarca e os empresários.
Segundo a magistrada, Patrocínio Azevedo, enquanto vice-presidente do município, assumiu um “claro tratamento de favor e influência” em prol dos interesses particulares de Paulo Malafaia, de Elad Dror e de sociedades promotoras arguidas, em empreendimentos urbanísticos a desenvolver em Gaia, sobretudo o projeto Skyline/Centro Cultural e de Congressos e o projeto imobiliário Riverside, a troco de bens, como relógios, e compartidas financeiras, e em prejuízo de interesses públicos.
À saída do tribunal, o ex-autarca negou qualquer comportamento ilícito e assegurou que irá decorrer da decisão. “A única coisa que sou acusado é de ter lutado para concretizar um sonho, porque queria ser candidato à câmara”, afirmou Patrocínio Azevedo. Sobre conversas tidas com os promotores do projeto Riverside, diz que “nenhum investidor investe 200 milhões de euros em Gaia, dando como contrapartida ao município um investimento de 35 milhões de euros, sem falar com os autarcas”.
Patrocínio Azevedo assegura ainda ter sido “vítima de um charlatão, de uma pessoa que usou o meu nome para sacar umas massas”, recusando ter recebido qualquer quantia. “Dizem que eu fazia condicionar atos processuais com entregas de dinheiro, incluindo o São João, que eu fiz condicionar uma suposta tranche para uma decisão. A decisão foi negativa para o promotor! Ou seja, o promotor pagava ao autarca para ter uma decisão contrária às suas vontades… isto só no mundo fictício do Ministério Público”.
Patrocínio Azevedo, que esteve em prisão preventiva durante cerca de 23 meses, é um dos 16 arguidos da Operação Babel, relacionada com a alegada viciação e violação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanísticos em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.
Notícia atualizada às 13h35 com declarações de Patrocínio Azevedo aos jornalistas
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