Depois de deixar a presidência, Powell vai ficar no ‘board’ da Fed por “tempo a determinar”
Preocupado com os "ataques jurídicos" à Reserva Federal, Powell vai ficar no Conselho mesmo depois de deixar de ser presidente'. "Não vou ser presidente-sombra", garante.
- Jerome Powell decidiu permanecer no Conselho da Reserva Federal após a sua presidência, devido a investigações jurídicas que afetam a política monetária.
- A confirmação do seu sucessor, Kevin Warsh, foi desbloqueada com o encerramento da investigação sobre os custos da renovação da sede da Fed, prevista para a semana de 11 de maio.
- Powell expressou preocupação com os ataques jurídicos à Fed, que podem comprometer a condução da política monetária, e reafirmou a sua intenção de permanecer até que a situação esteja resolvida.
O plano de Jerome Powell era de entrar na reforma após deixar a presidência da Reserva Federal (Fed) a 15 de maio, mas os recentes “ataques” jurídicos que ameaçam a condução da política monetária vão levar a que fique no Conselho do banco central “por tempo a determinar”.
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A reunião desta quarta-feira do Comité de Política Monetária (FOMC) – que manteve as Federal Funds Rates inalteradas no intervalo 3,50%-3,75% – terá sido a última de Powell à frente da Fed.
A confirmação no Senado do seu sucessor, Kevin Warsh, nomeado por Donald Trump, está prevista para a semana de 11 de maio. A via para essa confirmação foi desbloqueada na semana passada quando o Departamento da Justiça decidiu encerrar a investigação sobre o papel de Powell no disparo dos custos da renovação da sede da Fed.
A procuradora-geral dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, ordenou ao seu gabinete que encerrasse as diligências em relação a Powell, uma vez que o inspetor-geral da Fed assumiria a responsabilidade pela análise dos custos do projeto de renovação do edifício do banco central – razão pela qual tinha aberto inicialmente a investigação a Powell.
Em conferência de imprensa, Powell disse que recebeu com agrado o anúncio feito na sexta-feira pela procuradora federal.
“No entanto, referiu também que não hesitaria em reabrir a investigação. Durante o fim de semana, o Departamento de Justiça garantiu que não reabrirá a investigação, a menos que haja um encaminhamento criminal por parte do Inspetor-Geral Federal e, na ausência de tal encaminhamento, caso recorram da recente decisão judicial, não solicitarão, como parte desse recurso, o reinício da investigação nem enviarão novas intimações”, recordou.
“Afirmei que não deixarei o Conselho até que esta investigação esteja verdadeira e definitivamente encerrada, com transparência e definitividade, e mantenho essa posição”, revelou Powell, adiantando que se sente encorajado pelos recentes desenvolvimentos e que está a acompanhar atentamente os passos que ainda faltam neste processo.
No entanto, adiantou que “após o término do meu mandato como presidente, a 15 de maio”, continuará “a exercer funções como governador por um período a determinar“, explicando que tenciona “manter uma postura discreta enquanto governador”.
“Há muito que planeava reformar-me, mas o que aconteceu nos últimos três meses não me deixou outra escolha senão ficar até ver tudo resolvido, pelo menos por esse tempo”, explicou.
Ataques verbais “nunca foram problema”
Powell foi frequentemente criticado pelo presidente Donald Trump por não baixar as taxas de juro ao ritmo desejado, mas salientou que não foi isso que motivou a sua decisão de ficar no board.
“A minha preocupação prende-se, na verdade, com a série de ataques jurídicos contra a Reserva Federal, que ameaçam a nossa capacidade de conduzir a política monetária sem ter em conta fatores políticos”, disse.
“Gostaria de salientar que isto não tem absolutamente nada a ver com as críticas verbais por parte de representantes eleitos, nunca sugeri que isso fosse um problema“, vincou. “Mas estas ações judiciais por parte da administração são sem precedentes nos 113 anos de história da instituição e há, pelo que sei, ameaças de novas ações deste tipo”.
Questionado se não irá ser um ‘presidente-sombra’ na Fed, rejeitou essa hipótese. “Isso é algo que eu nunca faria, essa coisa de presidente-sombra“.
“Não sei quais serão os pormenores exatos, mas vou voltar a ser governador, respeito o papel de presidente, fui governador durante seis anos e sei como é e tive uma visão privilegiada, especialmente com a presidente Yellen, de quem era próximo quando trabalhei com o presidente Bernanke durante dois anos, mas, como sabem, eu era novato naquela altura”.
O mandato de Powell no Conselho da Fed termina em janeiro de 2028.
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