Portugueses nunca viajaram tanto. Espanha lidera destinos no estrangeiro, Norte é ‘rei’ cá dentro
Dados provisórios do INE revelam que residentes realizaram 26 milhões de viagens no ano passado, mais 13,7% face aos 22,9 milhões de 2024. Números ficam pela primeira vez acima dos níveis pré-Covid.
Vinte e seis milhões. Este é o número recorde de viagens realizadas pelos cidadãos residentes em Portugal no ano passado. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), trata-se de um aumento de 13,7% face a 2024, quando os portugueses realizaram 22,9 milhões de viagens. Além de ser a primeira vez que foram superados os níveis pré-pandemia.
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Evolução trimestral homóloga das viagens dos residentes por destino

Os dados provisórios divulgados esta terça-feira pelo gabinete estatístico indicam que tanto as viagens em território nacional como as viagens ao estrangeiro registaram máximos históricos. Enquanto as viagens no mercado interno totalizaram 22,2 milhões, mais 14% do que no ano anterior, as viagens para fora de Portugal ficaram perto dos 4 milhões, num crescimento homólogo de 12,5%.
“Desde 2016, as viagens dos residentes ao estrangeiro registaram um crescimento médio anual de 7,9%, enquanto as deslocações em território nacional cresceram, em média, 2,2% ao ano”, sublinha o INE.
Em 2025, a região Norte manteve-se como o principal destino das viagens realizadas em território nacional, concentrando 23,8% do total de deslocações — apesar de uma redução de 1,2 pontos percentuais face a 2024. Seguiu-se a região Centro (22,1%; +0,1 pontos percentuais), enquanto o Oeste e Vale do Tejo se destacou pelo maior aumento de representatividade: mais 1,9 pontos percentuais, com um peso de 12,8% no bolo total, o mesmo que o Algarve.
Distribuição das viagens em território nacional em 2025 vs. 2024 (por NUTS II):

Quanto às viagens dos portugueses ao estrangeiro, Espanha, França e Itália continuam no pódio dos principais destinos, com quotas de, respetivamente, 38,8% (-1,8 pontos percentuais), 9,7% (+0,2 pontos percentuais) e 6,3% (+0,1 pontos percentuais). As viagens para países da União Europeia (UE) subiram 9,7%, o equivalente a 69,7% do total (-1,8 pontos percentuais).
O “alojamento particular gratuito” continuou a ser o principal meio de alojamento no ano passado, embora com menor peso em relação a 2024 (58,4%, uma queda de 1 ponto percentual. Os “hotéis e similares” concentraram 25,3% do total das dormidas (+0,7 p.p. face ao ano anterior) e o alojamento “particular pago” 12,2% do total.
Contudo, a duração média das viagens desceu de 4,07 noites em 2024 para 3,90 noites no último ano, sendo a mais baixa desde 2016, indica o INE.
Na globalidade do ano 2025, metade da população residente (50,3%) realizou pelo menos uma viagem turística, 1,6 pontos percentuais acima dos valores de 2024 — em concreto, mais 240,5 mil turistas.
Já no que diz respeito aos motivos para viajar, o “lazer, recreio ou férias” (50,2%) mantém-se como o principal, correspondendo a 13,1 milhões de viagens (+12,3% face a 2024), seguindo-se a “visita a familiares ou amigos”, originando 37,5% das viagens (9,8 milhões de viagens, +13,1% face a 2024) e, por fim, as viagens por motivos “profissionais ou de negócios”, que representaram 7,0% do total (1,8 milhões de viagens) e registaram o maior acréscimo comparativamente ao ano anterior, de 23,9%.
Viagens ao estrangeiro crescem mais no fim do ano
Olhando para as estatísticas do último trimestre de 2025, os portugueses realizaram seis milhões de viagens, mais 13,2% do que no período homólogo — e acelerando 5,2 pontos percentuais face ao crescimento observado no terceiro trimestre. Todos os meses do trimestre registaram aumentos: +7,4% em outubro, +18,5% em novembro e +13,3% em dezembro.
De acordo com o INE, esta subida resultou tanto do aumento das viagens em território nacional (+12,8%, num total de 5,2 milhões), como das deslocações ao estrangeiro (+15,7%; 846,5 mil viagens). Face ao período de julho a setembro, estes valores correspondem a acelerações de 3,7 e 13,6 pontos percentuais, respetivamente.
A “visita a familiares ou amigos” foi o principal motivo para viajar no quarto trimestre, representando 2,9 milhões de viagens (+15,3%) e 48,0% do total. Por sua vez, as deslocações por “lazer, recreio ou férias” registaram um acréscimo de 14,6%, atingindo 2,3 milhões de viagens (38,1% do total), e as viagens por motivos “profissionais ou de negócios” aumentaram 6,4%, num total de 438,5 mil deslocações (7,3% do total).
Entre outubro e dezembro, cada viagem teve uma duração média de 3,22 noites, o que compara com uma média de 3,19 noites em igual período de 2024. A duração média mais baixa foi em outubro (2,79 noites), enquanto a mais elevada ocorreu em dezembro (3,68 noites).
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