UGT continua a não ser rigorosa com a verdade, acusa CIP

  • Lusa
  • 23 Abril 2026

Armindo Monteiro diz que "é altura de se falar verdade e de, uma vez por todas, se parar com estas insinuações de que os empresários estão a querer o que não querem”.

O presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal acusou esta quinta-feira a UGT de continuar a “não ser rigorosa com a verdade” ao dizer que não aceita pontos que não fazem parte da proposta de revisão da legislação laboral.

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“Não diria que estamos em negociação, mas numa coreografia em que se pretende fingir que há uma negociação […]. Estivemos sempre disponíveis para ouvir todas as preocupações da UGT, o problema é que a UGT continua a não ser rigorosa com a verdade”, afirmou o presidente da CIP, Armindo Monteiro, em declarações à Lusa.

O secretariado nacional da UGT rejeitou por unanimidade a última versão da proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo, mas “continua sempre disponível” para negociar se o executivo tiver alguma nova proposta. A ministra do Trabalho instou hoje a UGT a “mostrar que quer efetivamente uma aproximação” e disse que vai convocar uma reunião de Concertação Social para 07 de maio para encerrar o processo negocial.

Uma das linhas vermelhas apontadas pelo líder da UGT prende-se com a decisão de integração dos trabalhadores despedidos ilicitamente ficar do lado do empregador. Contudo, segundo a CIP, este ponto nunca esteve em cima da mesa. “Continuamos a ver e ouvir inverdades sobre a proposta. Para quem não tem participado nas reuniões é justificável. O que não é desculpável é quem participa nas reuniões não ser rigoroso com a verdade”, apontou.

Armindo Monteiro disse ter recebido o ‘chumbo’ da UGT sem surpresa e sublinhou que a central sindical conseguiu o que queria – arrastar o processo para depois da manifestação de 01 de Maio, Dia do Trabalhador, para que não fosse criticada pela CGTP. “Recebemos, naturalmente, sem surpresa. Se o totoloto fosse assim tão fácil, todos os portugueses o ganhariam”, insistiu.

O presidente da CIP garantiu que, neste momento, é “ponto de honra” para a confederação que os portugueses sejam esclarecidos relativamente à proposta em causa, assegurando não existir nenhum ponto que diminua os direitos de parentalidade, o direito à greve ou que diga que o despedimento é arbitrário. “É altura de se falar verdade e de, uma vez por todas, se parar com estas insinuações de que os empresários estão a querer o que não querem”, rematou.

De acordo com a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, a UGT “terá que mostrar que quer efetivamente uma aproximação”, ao invés de “continuar a ter pretextos para fazer fugas para a frente”, numa alusão ao facto de o órgão executivo máximo da UGT ter rejeitado pela segunda vez a proposta em discussão, apelando ao prolongamento das negociações.

Deste modo, “o Governo esperará nos próximos dias uma posição realmente construtiva e clara da UGT sobre os poucos pontos que ficaram em aberto” na sequência do processo negocial, indicou a ministra do Trabalho. Palma Ramalho sinalizou ainda que “se essa posição vier”, o executivo poderá “fazer um último esforço” de aproximação. “Se não avançaremos com o diploma para o parlamento”. acrescentou.

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