Comissária defende regras para punir países que recuem na democracia após entrar na UE
"Se os países voltarem atrás em questões fundamentais como a democracia, o Estado de Direito, as salvaguardas devem ‘morder’ e devemos ser sempre capazes de proteger a nossa União”, afirmou Marta Kos.
A comissária europeia para o Alargamento defendeu esta segunda-feira a inclusão nos tratados de adesão à UE de medidas para punir e dissuadir países de recuarem na democracia ou Estado de Direito após entrarem no bloco.
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Numa audição na Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu (PE), Marta Kos defendeu que, tendo em conta o número de países candidatos, o atual contexto político e as lições que se retiraram das anteriores adesões, é necessário que a UE “repense os mecanismos de salvaguarda”.
“Uma lição que aprendemos de 2004 [quando aderiram 10 países à UE] é a de que precisamos de salvaguardas para garantir que os novos membros cumprem as regras e que a integridade da nossa União se mantém assegurada, mesmo daqui a cinco, 10 ou 20 anos”, afirmou, sustentando que é preciso impedir que entrem “cavalos de Troia” na UE.
A comissária para o Alargamento defendeu que “os tratados de adesão futuros devem incluir salvaguardas que sejam credíveis, eficazes e capazes de serem aplicados caso surjam falhas graves após a adesão”, propondo que o tratado de adesão de Montenegro, o país que se encontra mais avançado no processo de adesão, “seja o primeiro de uma nova geração”.
“Não se trata de criar critérios adicionais para os países. Mas, se os países voltarem atrás em questões fundamentais como a democracia, o Estado de Direito, as salvaguardas devem ‘morder’ e devemos ser sempre capazes de proteger a nossa União”, afirmou. Para Marta Kos, essas novas salvaguardas são necessárias “para manter a confiança”.
“Manter a confiança entre Estados-membros, junto dos nossos cidadãos e também nos processos de alargamento em toda a Europa”, defendeu. Perante os eurodeputados, Marta Kos frisou que se está a assistir cada vez mais a “regimes autocráticos, muitas vezes com a ajuda de atores internos, atacarem as democracias na Europa” e considerou que esse contexto faz com que o alargamento já não se resuma a “completar o projeto europeu”.
“Trata-se também de garantir a sua segurança e isso deve mudar a nossa maneira como abordamos esses processos. A nossa credibilidade, enquanto atores geopolíticos, também depende da nossa capacidade de avançarmos nos processos de adesão de uma maneira que é ambiciosa, mas também consistente com as nossas raízes”, referiu.
Depois, a comissária fez um balanço dos diferentes processos de adesão em curso, alertando que a Geórgia e a Sérvia estão a recuar e a distanciar-se da UE. No caso da Sérvia, Marta Kos manifestou preocupação com a aprovação de leis que “minam a independência do sistema judicial”, com a “repressão de manifestantes” e a “ingerência recorrente em meios de comunicação independentes”.
“Estamos atualmente a avaliar se o país ainda cumpre as condições para receber pagamentos no âmbito dos instrumentos financeiros da UE”, referiu a comissária, salientando que, ao abrigo do atual financiamento, a UE prevê a disponibilização de cerca de 1,6 mil milhões de euros à Sérvia. “Já recebeu 110 milhões. Portanto, são 1,5 mil milhões que estão em dúvida”, disse, avisando que se a Sérvia não garantir que cumpre as recomendações da Comissão de Veneza do Conselho da Europa, a UE irá cortar o financiamento.
Quanto aos restantes países, a comissária referiu que o Montenegro e a Albânia são os países que estão mais avançados no processo de adesão e manifestou-se convicta de que venham a haver avanços para a Ucrânia, devido às recentes eleições na Hungria, que ditaram a derrota de Viktor Orbán, que se opunha à entrada de Kiev na UE.
“Estamos otimistas de que, com o apoio do novo Governo húngaro, o Conselho conseguirá formalmente abrir os capítulos de negociação”, referiu, apesar de salientar que não se pode comprometer com uma data para a adesão de Kiev.
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