Preços das casas dispararam 17,6% em 2025. Foi o maior aumento de sempre
O sonho de comprar casa ficou mais distante para muitos portugueses, com o INE a confirmar que os preços subiram como nunca em 2025 e que se venderam mais casas do que alguma vez registado.
- Os preços da habitação em Portugal aumentaram 17,6% em 2025, o maior crescimento desde 2009 (início da série do INE), com recordes de transações no mercado residencial.
- O número de casas vendidas subiu 8,6% para 169.812 unidades, enquanto o valor total das transações atingiu 41,2 mil milhões de euros, refletindo uma procura intensa.
- As famílias portuguesas dominaram o mercado, representando 87,5% das compras, enquanto os compradores estrangeiros continuaram a diminuir pelo terceiro ano consecutivo.
Os preços da habitação em Portugal dispararam 17,6% em 2025, o crescimento mais elevado desde que o Instituto Nacional de Estatística (INE) começou a medir este indicador em 2009.
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Os dados divulgados esta segunda-feira pelo INE mostram que o mercado residencial nacional não dá sinais de abrandamento: foi também o ano em que se venderam mais casas.
“A taxa de variação média anual do IPHab [Índice de Preços da Habitação] foi 17,6%, a mais elevada na série disponível, mais 8,5 pontos percentuais que em 2024”, escreve o INE em comunicado.
A subida foi mais intensa nas casas usadas, que ficaram 18,9% mais caras, do que nas casas novas, cujos preços cresceram 14,2%. Para quem procura casa — seja para comprar ou para perceber quanto vale o imóvel que já tem –, os números confirmam que 2025 foi o ano mais difícil de sempre para quem quer aceder à habitação própria.

Em termos de transações, o mercado também bateu recordes: “Em 2025 foram transacionadas 169.812 habitações, totalizando 41,2 mil milhões de euros”, indica o INE. Estes números representam um aumento de 8,6% no número de casas vendidas e de 21,7% no valor total face a 2024.
As habitações usadas lideraram a procura, com 136.245 unidades transacionadas (+9,5%), enquanto as casas novas somaram 33.567 transações (+5,3%), nota ainda o INE.
No último trimestre de 2025, os preços continuaram a acelerar a um ritmo histórico. O INE sublinha que o período de outubro a dezembro correspondeu “ao crescimento de preços mais expressivo da série disponível e o sétimo trimestre consecutivo com uma aceleração dos preços”, com uma subida homóloga de 18,9%.
A nível regional, todas as regiões do continente viram o número de casas transacionadas crescer em 2025, com destaque para o Alentejo (+12,7%) e o Oeste e Vale do Tejo (+12%).
As casas usadas lideraram, com preços a crescer 20,9%, bem acima das novas (+13,7%). Sequencialmente, face ao trimestre anterior, o IPHab subiu 4%.
Já no número de vendas, o quarto trimestre travou. Foram transacionadas 43.084 habitações entre outubro e dezembro, uma queda de 4,7% face ao período homólogo, “sendo a primeira vez, desde o 1.º trimestre de 2024, que se regista uma contração no número de transações em termos homólogos”, segundo o INE.
Em valor, porém, as casas vendidas no último trimestre do ano passado totalizaram 10,8 mil milhões de euros, mais 5,9% do que no mesmo período de 2024.

Mercado nacional à boleia das famílias
As famílias portuguesas foram as grandes protagonistas do mercado de habitação em 2025. Compraram 148.632 casas (+10,5%), num total de 35,7 mil milhões de euros, representando 87,5% de todas as transações – o peso mais elevado desde 2019.
Em sentido contrário, os compradores estrangeiros continuaram a recuar pelo terceiro ano consecutivo. “Em 2025, 8.471 habitações foram adquiridas por compradores com domicílio fiscal fora do território nacional, por um total de 3,4 mil milhões de euros, correspondendo a reduções de 13,3% e 2,1%, respetivamente, em número e valor, relativamente a 2024”, refere o INE em comunicado.
A nível regional, todas as regiões do continente viram o número de casas transacionadas crescer em 2025, com destaque para o Alentejo (+12,7%) e o Oeste e Vale do Tejo (+12%).
A Grande Lisboa concentrou a maior fatia do valor total das transações – 30,1%, num total de 12,4 mil milhões de euros -, mas foi também a região onde o peso relativo mais recuou (-2,1 pontos percentuais face a 2024). A Região Autónoma da Madeira foi a única a registar quebras simultâneas no número (-13,5%) e no valor (-5,6%) das transações de habitação.
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