Taxa do lixo quase duplica até 2030

A Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) vai "engordar" cinco euros por tonelada a cada ano entre 2026 e 2030. Hoje está nos 35 euros por tonelada, mas chegará aos 60 euros em 2030.

A Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) vai “engordar” cinco euros por tonelada a cada ano entre 2026 e 2030, decreta o Governo, através de um despacho publicado esta quarta-feira em Diário da República. Neste sentido, o valor correspondente a esta taxa quase que duplica, dos 35 euros por tonelada atuais para os 60 euros em 2030.

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“O valor da TGR por tonelada para os anos de 2026, 2027, 2028, 2029 e 2030 é atualizado anualmente, acrescendo 5 euros por tonelada em relação ao definido para o ano transato“, define o despacho, publicado esta quarta-feira, 31 de dezembro, em Diário da República.

A TGR foi criada em 2007, de acordo com o site da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com o objetivo de que a verba arrecadada fosse usada para atingir os objetivos nacionais em matéria de gestão de resíduos. É paga pelos municípios e entidades gestoras de resíduos ao Estado, em função da quantidade de resíduos que são depositados em aterro, incinerados e valorizados energeticamente. Contudo, são os consumidores que acabam por pagar o custo: esta taxa é repercutida na fatura da água.

Já segundo o Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU) 2030, lançado em 2023, esta taxa deveria ser agravada a partir de 2025, para estimular o cumprimento dos objetivos nacionais. Estava também previsto que, a partir de 2026, o montante da TGR deveria ser acrescido de um valor por tonelada, “a definir por despacho do membro do Governo responsável pela área do ambiente”, de acordo com o site da APA.

A mesma fonte expõe que, pelo menos desde 2015, a trajetória tem sido ascendente, com exceção do ano de 2022, no qual a TGR se manteve inalterada. Se em 2015 se pagava, em média, 5,5 euros por tonelada de resíduos, em 2025 já se cifrava em 35 euros por tonelada. Tendo em conta o despacho, o valor por tonelada deverá subir até aos 60 euros em 2030, quase o dobro do valor atual.

Fonte: Agência Portuguesa do Ambiente

“Importa reconhecer que Portugal enfrenta ainda uma elevada taxa de deposição em aterro (54%) e insuficiência de capacidade instalada para valorização material e energética”, lê-se no despacho, assinado pelo secretário de Estado do Ambiente, João Esteves.

Isto acontece enquanto, a nível europeu, têm vindo a ser reforçadas as restrições à deposição em aterro. Foi estabelecida a meta de redução para um máximo de 10% de resíduos urbanos em aterro até 2035, a qual já se encontra transposta para o ordenamento jurídico nacional

A Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) “constitui um instrumento económico essencial para desincentivar a deposição em aterro e promover a hierarquia de resíduos, em alinhamento com as políticas europeias e nacionais”, entende o Governo que, neste sentido, vê como “essencial” reforçar o aumento desta taxa, “de forma a evitar que Portugal venha a incumprir os objetivos a que está vinculado“.

Portugal continua a apresentar valores de taxa de gestão de resíduos aplicada à operação de deposição em aterro muito inferiores aos praticados pela maioria dos Estados-Membros, indica ainda o despacho. O objetivo é que as verbas angariadas sejam aplicadas para “apoiar soluções que aumentem a separação, a reciclagem e a valorização”.

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