Paris duvida da versão do Mali sobre os acontecimentos em Moura

  • Lusa
  • 8 Abril 2022

"As autoridades de Bamaco anunciam 200 terroristas mortos, sem vítimas civis. Acho difícil acreditar, acho difícil entender, acho difícil aceitar essas explicações", disse o chefe da diplomacia.

O chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, questionou esta sexta-feira a versão das autoridades malianas em que afirmam ter “neutralizado” 203 combatentes islâmicos em Moura (centro), onde testemunhos relatam a execução em massa de civis pelo exército maliano.

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As autoridades de Bamaco anunciam 200 terroristas mortos, sem vítimas civis. Acho difícil acreditar, acho difícil entender, acho difícil aceitar essas explicações”, disse o chefe da diplomacia francesa em declarações à estação pública de televisão France 5.

Precisamos de uma investigação das Nações Unidas e estamos a pedir isso. É o papel das Nações Unidas fazer essa investigação (…) exceto que neste momento não têm direito de acesso à área central onde esses abusos foram cometidos a priori“, acrescentou.

As dúvidas de Le Drian foram expressas no mesmo dia em que Moscovo felicitou as autoridades malianas pela “importante vitória” contra o “terrorismo” e descreveu como “desinformação” as alegações do massacre de civis pelas forças malianas, e em que terão também participado mercenários russos do grupo privado Wagner, com sede na Rússia.

O Exército maliano e testemunhas ouvidas pela imprensa ou pela organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) apresentam versões diametralmente opostas dos acontecimentos ocorridos entre 27 e 31 de março em Moura, numa região que é um dos principais focos de violência do Sahel.

O Exército diz que “neutralizou” 203 combatentes islâmicos durante uma grande operação. As testemunhas citadas relatam uma massa de execuções sumárias de civis, estupros e saques cometidos por soldados malianos e combatentes estrangeiros supostamente russos.

A ONU exige uma investigação independente ao sucedido e lamenta a falta de resposta a este respeito por parte de Bamaco.

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