INESC TEC promete abrir código da app de rastreio à Covid “antes do lançamento nacional”

O INESC TEC assegurou ao ECO que o código fonte da aplicação STAYAWAY COVID será disponibilizado "antes do lançamento nacional". Não se sabe, contudo, com quanta antecipação o tenciona fazer.

O INESC TEC tenciona disponibilizar o código fonte da aplicação de contact tracing à Covid-19 antes do lançamento da solução ao público. O ECO já tinha noticiado que a intenção era a de abrir o código da STAYAWAY COVID, o que deverá permitir o escrutínio da mesma, mas até aqui havia dúvidas se a divulgação seria feita antes ou já depois do lançamento.

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“O código fonte será disponibilizado antes do lançamento nacional”, assegurou fonte oficial do INESC TEC, quando questionada pelo ECO nesse sentido. Instada a dar mais detalhes sobre a forma como será feita essa disponibilização, a mesma fonte acrescentou que o código da aplicação “será disponibilizado num repositório público sob licença EUPL 1.2” — isto é, sob uma licença pública da União Europeia.

Porém, o instituto não se comprometeu com timings nem sinalizou com que antecipação é que divulgará o código fonte da aplicação, que permitirá rastrear possíveis casos de Covid-19 através do Bluetooth dos telemóveis.

Ao assegurar que o código fonte é disponibilizado antes do “lançamento nacional”, o INESC TEC gera a expectativa de que haverá tempo útil para esse trabalho da parte da comunidade, numa altura em que aumentam as exigências à equipa responsável pelo desenvolvimento. O dossiê é sensível e, se não o fizer, ou se o lançamento não corresponder a essa expectativa, o instituto arrisca dar argumentos às vozes mais críticas destas soluções, que veem no contact tracing digital uma ameaça à privacidade dos cidadãos.

Foi no final de junho que o ECO noticiou que o INESC TEC promete a “abertura pública de todo o código fonte da plataforma”. Esse é, aliás, um dos “princípios orientadores” do projeto, de acordo com a informação disponibilizada no portal da plataforma.

Na sequência da confirmação dessa disponibilização, alguns cidadãos apelaram nas redes sociais a que a divulgação fosse feita antes do lançamento. Argumentam que tal permitirá à comunidade e à sociedade civil procurar eventuais vulnerabilidades ou atestar como são geridos, em termos técnicos, os dados pessoais dos cidadãos. O objetivo é que qualquer pessoa com alguma especialização possa “mergulhar” no sistema por detrás do aplicativo e observar como é que a aplicação funciona e reage nos vários cenários, bem como se recolhe dados pessoais e para onde os envia.

Uma organização que tem sido crítica destas soluções é a Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais. Também no final de junho, a associação recorreu ao Twitter para apelar à divulgação do código fonte da STAYAWAY COVID antes da disponibilização da aplicação aos cidadãos: “Na Alemanha, a app de rastreamento de contactos teve o código fonte divulgado ao público semanas antes do lançamento, recebendo mais de 7.000 contributos, entre correções e melhoramentos da app. Por cá também vamos divulgar o código antes do lançamento, certo?”, questionou numa das publicações.

Além disso, a Associação D3 lançou um portal dedicado a colocar à disposição do público “algumas questões e recursos para cada pessoa poder decidir se é boa ideia aderir a uma” app deste género. “Existem riscos preocupantes, transversais a todas as apps deste tipo, que nos devem fazer pensar duas vezes antes de instalar algo assim no nosso telemóvel”, assegura a associação presidida por Eduardo Santos.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) também tem dúvidas e já emitiu um parecer onde admite ver riscos no uso de uma tecnologia criada pela Apple e pela Google, pois estas multinacionais poderão alterar as regras a meio do jogo. Além disso, sobem de tom os apelos a que o sistema seja gerido por uma entidade pública, ao invés da academia.

Este fim de semana, o Público noticiou que o INESC TEC tenciona avançar com um projeto-piloto da aplicação já esta semana, disponibilizando-a a um grupo restrito de portugueses que participaram num inquérito online.

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