Comércio acusa Governo de “desprezo”. “Aconselha” despedimentos

A CCP acusa o Governo de mostrar "profundo desprezo" pelo setor e aconselha a adoção de uma política de redução "rápida de custos", incluindo laborais.

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) considera que as novas linhas de crédito para o turismo, restauração e indústria anunciadas, esta quarta-feira, pelo Executivo face à pandemia de coronavírus refletem um “profundo desprezo” pelo setor. A confederação liderada por João Vieira Lopes recomenda, por isso, às empresas que adotem uma “política de redução rápida de custos, nomeadamente laborais”, colocando assim em cima da mesa despedimentos.

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“A CCP, ao tomar conhecimento das linhas de crédito anunciadas pelo Governo, em concreto da distribuição setorial dos montantes agora disponibilizados, considera inaceitável o profundo desprezo a que foi votado o setor do comércio e de muitos serviços“, explica a confederação, num comunicado titulado “empresas do comércio e de muitos serviços em risco”.

Esta manhã, o ministro da Economia anunciou um conjunto de linhas de crédito — a serem disponibilizadas através do sistema bancário e com garantia do Estado — que vão alavancar três mil milhões de euros para as empresas as afetadas pela propagação do coronavírus em Portugal e no mundo.

Estas quatro novas linhas de crédito têm os seguintes destinos: 600 milhões para a restauração e similares, dos quais 270 milhões para micro e pequenas empresas; 200 milhões para turismo (agências de viagens, animação, organização de eventos e similares), dos quais 75 milhões para micro e pequenas empresas; mais 900 milhões de euros para o turismo (desta vez, para empreendimentos e alojamento) e dos quais 300 milhões para micro e pequenas empresas; 1,3 mil milhões de euros para a indústria (têxtil, vestuário, calçado, indústria extrativa e fileira da madeira e da cortiça), dos quais 400 milhões para micro e pequenas empresas.

Sobre o setor do comércio e dos serviços, o Governo fez questão de sublinhar que está “em estreita ligação” com a CCP e as associações do setor para assegurar que as medidas sejam “tempestivas e adequadas às suas realidades”, tendo lembrado que está disponível uma outra linha de crédito de 200 milhões de euros.

Em resposta, a confederação liderada por João Vieira Lopes salienta: “Não discutimos os apoios aos vários setores, mas a CCP recorda que só o comércio representa mais de 700 mil ativos, dos quais meio milhão a trabalhar em micro e PME do setor. Os restantes serviços empregam ainda mais de um milhão de trabalhadores“.

Face à “discriminação inexplicável” levada a cabo pelo Governo e à “falta de apoio”, os representantes do comércio “aconselham”, portanto, os empresários a adotarem “uma política de redução rápida de custos, nomeadamente laborais”, ou seja, colocam em cima da mesa despedimentos. Isto de forma a “minimizar as dificuldades” que estão a ser provocadas pela pandemia de coronavírus. “O número de encerramentos vai aumentar exponencialmente e o número de trabalhadores despedidos também”, alerta Vieira Lopes, em declarações à SIC Notícias.

Na reunião da Concertação Social da semana passada, o líder da CCP já tinha adiantado que, perante o surto em causa, as empresas do comércio estavam a sentir “muitas dificuldades” de financiamento da sua tesouraria corrente junto da banca.

(Notícia atualizada às 15h05)

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