“Isto é uma terra de primos”. As frases mais emblemáticas de Alexandre Soares dos Santos
Alexandre Soares dos Santos, antigo líder do grupo Jerónimo Martins, morreu esta sexta-feira aos 84 anos.
Alexandre Soares dos Santos morreu esta sexta-feira, aos 84 anos de idade, depois de uma vida inteira dedicada ao grupo Jerónimo Martins. O “Sr. Jerónimo”, como tantas vezes foi tratado, era um dos homens mais ricos do país, com uma fortuna avaliada em mais de três mil milhões de euros.
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Para além do império, Soares dos Santos deixou também frases marcantes, algumas bastante polémicas. Direto e frontal — apesar de avesso aos holofotes –, Alexandre Soares dos Santos ia dizendo o que pensava e fazia-o de forma crua. Umas vezes era bem entendido, outras tanta era criticado. Essas críticas, aceitava-as, desde que não fossem ataques pessoais.
Defensor da Europa, costumava dizer que “não temos qualquer alternativa real à Europa”. Nos tempos mais recentes chegou a mostrar-se surpreendido positivamente com a gerigonça mas sempre foi dizendo que “se não fosse português, não investia aqui“. Em causa estava a alta carga fiscal que recai sobre os contribuintes privados e sobretudo sobre as empresas.
A par de uma redução de impostos, Soares dos Santos defendia também bons salários para os trabalhadores porque “não há ninguém que vá trabalhar com gosto ganhando pouco. E o salário mínimo de 500 ou 520 euros não dá para nada”. Nessa matéria, chegou mesmo a apontar o dedo aos jornalistas por afirmarem que há reformas milionárias de cinco mil euros. “Onde é que isso é milionário?”, questionava, para acrescentar: “E quanto é que fica para a pessoa? Está tudo muito contente neste país. Porque somos miseráveis e gostamos de ser miseráveis”.
Sobre a vaga de investimento chinês que assolou Portugal, o empresário era bastante crítico. “Detesto investimento chinês, porque não traz coisíssima nenhuma, nem know how, nem sequer management“, costumava dizer.
Afirmava que Portugal devia ser juiz em causa própria, que é o mesmo que dizer que devia assumir os seus erros e as suas responsabilidades. E numa análise à sociedade, tinha uma visão refinada: “Isto é uma terra de primos e os primos passam a vida a fazer jeitos uns aos outros. Depois estouram-se todos”.
Longe da gestão diária do grupo, Alexandre Soares dos Santos dizia-se um homem feliz. “Sou um fulano muito estranho. Saí da Unilever ao fim de 40 anos e nunca mais lá voltei. Saí da Jerónimo Martins e não vou lá. Saio, não volto. Deixei o meu gabinete e acabou. Não me chateio com mais nada. Nem queiram saber como me sinto feliz”, disse.
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