EUA atacam novos alvos iranianos. Teerão retalia em todo o Médio Oriente
Irão respondeu com ataques dirigidos ao Bahrein, à Jordânia e a dois petroleiros associados aos Emirados Árabes Unidos que navegavam pelo estreito, matando um marinheiro e ferindo outros oito.
Os EUA lançaram esta madrugada ataques contra o Irão, horas após o Presidente Donald Trump afirmar que Washington vai “restabelecer” o bloqueio ao Irão no Estreito de Ormuz e depois anunciar que irá cobrar taxas à navegação.
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O anúncio de Trump de imposição de taxas próprias a outros navios pela passagem segura, subverte centenas de anos de política norte-americana de apoio à liberdade de navegação em todo o mundo.
O Irão respondeu com ataques dirigidos ao Bahrein, à Jordânia e a dois petroleiros associados aos Emirados Árabes Unidos que navegavam pelo estreito, matando um marinheiro e ferindo outros oito.
Os Emirados ameaçaram retaliar contra o Irão, o que poderá levar a nação que abriga Abu Dhabi e Dubai a voltar a entrar em conflito com Teerão.
Os ataques ocorrem num momento em que o Irão e os Estados Unidos disputam o controlo do estreito, por onde, em tempos de paz, passava um quinto de todo o petróleo bruto e gás natural comercializados no mundo.
O preço do petróleo bruto de referência Brent subiu para um máximo de um mês, ultrapassando os 84 dólares (73,6 euros) nas negociações na madrugada desta terça-feira, ainda bem abaixo dos quase 120 dólares (105,2 euros) atingidos no auge da guerra, mas ameaçando aumentar os custos em todo o mundo.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) afirmou ter atacado áreas em torno de Abu Musa, Bandar Abbas, Bushehr, Chahbahar, Jask e Konarak, visando “sistemas de defesa costeira, instalações de mísseis e drones e capacidades marítimas” iranianas.
O Irão reconheceu os ataques nessas áreas, mas não forneceu avaliações sobre vítimas ou danos.
“Estes ataques continuarão a impor um custo elevado às forças iranianas e a enfraquecer a sua capacidade de atacar civis inocentes e a navegação comercial no Estreito de Ormuz”, afirmaram as forças armadas norte-americanas. Em seguida, Trump referiu-se a estes bombardeamentos como “mais um ataque de grande envergadura”.
“Estamos a atingi-los com toda a força. E isto vai continuar, e vamos ver o que acontece”, disse Trump aos jornalistas no Salão Oval. “Estamos a neutralizar toda a sua capacidade ofensiva e a controlar o estreito. Estamos a restabelecer o bloqueio”, acrescentou.
Donald Trump também forneceu novos detalhes sobre a sugestão de que os Estados Unidos irão cobrar portagens aos navios que atravessarem o estreito, numa reviravolta após ter afirmado antes que isso não iria acontecer.
“Estamos a proteger uma região muito rica do mundo”, afirmou. “Estamos a gastar dinheiro. Por isso, o que fizemos foi garantir que seremos reembolsados pela proteção”, justificou.
Os Estados Unidos defendiam até agora que o estreito deveria permanecer aberto a todos, sem portagens — tal como acontecia antes dos ataques israel-norte-americanos contra o Irão em 28 de fevereiro.
Qualquer tentativa por parte dos Estados Unidos ou do Irão de cobrarem taxas violará as normas globais sobre a liberdade de navegação e aumentará as tensões, com eventuais perturbações económicas correspondentes, muito para além da região.
O Irão afirma ter o direito de gerir o tráfego através do estreito e, potencialmente, cobrar taxas, em conformidade com o acordo de paz provisório, o que EUA contestam.
As forças armadas norte-americanas e a Organização Marítima Internacional das Nações Unidas tentaram estabelecer uma rota através do estreito, ao longo da costa de Omã, que ficasse fora do controlo iraniano, mas o Irão atacou navios que utilizavam essa rota, alegando que os Estados Unidos estavam a violar o acordo de paz provisório.
Os EUA atacaram o Irão em resposta, o que provocou ataques iranianos contra Estados árabes aliados dos EUA.
A troca de ataques dos últimos dias lança dúvidas sobre o acordo de paz provisório. Washington tinha levantado um bloqueio que impôs em meados de abril como parte desse memorando de entendimento, que também previa a reabertura total do estreito.
Trump acredita que acordo com Teerão ainda é possível
O Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu que ainda é possível um acordo com o Irão, apesar dos novos ataques aéreos dos Estados Unidos (EUA) e do restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos.
Trump questionado, na segunda-feira na Sala Oval, se acreditava que um acordo com Teerão era concebível e respondeu afirmativamente, alegando também que o Irão queria continuar as negociações.
“Penso que tínhamos um acordo com eles há dois dias, mas eles queriam continuar a negociar”, destacou Trump aos jornalistas na Sala Oval, sem apresentar detalhes sobre o alegado acordo ou os seus termos.
Trump afirmou que, apesar das conversações com Teerão, a sua administração não conseguiu chegar a um acordo final porque o Irão optou por prolongar o diálogo.
O Presidente norte-americano insistiu que a pressão sobre o Irão vai continuar até que haja um acordo que satisfaça Washington e defendeu a utilização combinada de medidas económicas e de ação militar como mecanismo para forçar Teerão a aceitar as suas condições.
Trump afirmou que o seu objetivo continua a ser impedir o Irão de desenvolver ou manter capacidades que considera uma ameaça para os Estados Unidos e para os seus aliados.
O chefe de Estado norte-americano indicou ainda na segunda-feira que a sua administração está a investigar se o Irão tem ‘drones’ armazenados em Cuba e avisou que Washington tomará medidas caso se confirme a presença deste equipamento na ilha.
“Se os tiverem, e é muito possível que tenham, trataremos disso”, garantiu Trump nas mesmas declarações.
A declaração de Trump surge no meio da crescente pressão dos EUA sobre Cuba, depois de o Governo norte-americano ter alargado as sanções contra autoridades e entidades ligadas ao Governo cubano.
Os Estados Unidos sancionaram o Ministério do Turismo de Cuba e nove entidades estatais, incluindo agências que exportam combustíveis, bens e serviços, no âmbito da sua política de pressão sobre a ilha, que atravessa uma grave crise económica.
Em junho, foram impostas sanções ao Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, a vários dos seus familiares e ao coronel Alejandro Castro Espín, filho do ex-presidente Raúl Castro (2008-2018), irmão mais novo de Fidel Castro.
O Departamento de Justiça apresentou também acusações contra Raúl Castro pela sua alegada responsabilidade na queda de dois aviões pertencentes a uma organização de exilados cubanos em 1996, que resultou na morte de quatro pessoas.
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