Petróleo dispara e bolsas europeias tremem com escalada do conflito no Golfo
Receio de falhas na cadeia de abastecimento global castiga o arranque da sessão nas praças europeias. Cautela domina as negociações enquanto os investidores aguardam por mais dados económicos.
- Os mercados acionistas europeus iniciaram a semana em queda, influenciados pela escalada do conflito no Golfo e a incerteza sobre o estreito de Ormuz.
- O preço do petróleo chegou a subir cerca de 5%, refletindo os receios de que a tensão entre os EUA e o Irão afete o fornecimento global.
- Os investidores estão cautelosos e aguardam os resultados trimestrais das empresas, que poderão influenciar o comportamento dos mercados nos próximos dias.
Os mercados acionistas europeus arrancaram esta segunda-feira em terreno negativo, penalizados pela escalada do conflito no Golfo, depois de os EUA e o Irão terem voltado a trocar ataques durante o fim de semana.
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Teerão chegou a anunciar o fecho do estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo a nível mundial, ainda que Washington tenha contestado essa versão, garantindo que a navegação comercial se mantém a decorrer com normalidade.
Esta indefinição sobre o real estado da via marítima tem alimentado a aversão ao risco entre os investidores, que preferem agora refugiar-se em ativos mais seguros enquanto aguardam desenvolvimentos. Esse clima de cautela reflete-se, precisamente, no comportamento dos principais índices acionistas europeus, que negoceiam esta manhã em terreno negativo.
Paralelamente à queda das ações, o preço do petróleo tem registado subidas expressivas, com o barril de Brent a chegar a valorizar cerca de 5%, para quase 80 dólares.
O pan-europeu Stoxx Europe 600 cehgou a cair 0,35%, pressionado sobretudo pelo desempenho dos setores industrial e tecnológico, que têm sido dos mais afetados pela incerteza geopolítica e pelo impacto que uma eventual disrupção no fornecimento de petróleo poderá ter nas cadeias de abastecimento globais.
O português PSI não é exceção a este movimento de queda generalizada nas praças europeias. O principal índice da bolsa nacional negoceia com uma ligeira descida de 0,05%, depois de ter chegado a cair 0,4% durante a sessão, até aos 9.067 pontos.
No mercado cambial, o euro segue a valorizar 0,16% face à moeda verde, transacionado por 1,1431 dólares, aproximando-se assim de máximos de 19 de junho, enquanto o ouro segue a cair 1,18% até aos 4.072 dólares por onça, e no mercado de dívida, a yield das obrigações do Tesouro das principais economias europeias encontra-se a corrigir, refletindo assim uma procura por estes títulos como ativos de refúgio.
Num movimento contrário à maioria das obrigações europeias, os títulos de dívida de Portugal seguem a negociar com uma subida das yields, refletindo com isso uma pressão vendedora por parte dos investidores.
Isso é particularmente visível junto das britânicas Gilt e dos títulos neerlandeses, com as obrigações do Tesouro a 10 anos de Inglaterra a contabilizarem uma correção de 3,8 pontos base para 4,9%, e as obrigações também a 10 anos dos Países Baixos a contabilizarem uma correção de 1,4 pontos base da taxa média pondera para 3,18%.
Em movimento contrário seguem as obrigações da República, com a curva de rendimentos de Portugal a apresentar uma subida generalizada das yields, com particular foco nos títulos a 2 anos, com a yield destes títulos a contabilizar uma subida de 2,5 pontos base para 2,68%.
Paralelamente à queda das ações, o preço do petróleo tem registado subidas expressivas, com o barril de Brent (que serve de referência à Europa) a chegar a valorizar cerca de 5%, para quase 80 dólares — atualmente sobe 3% para 78,3 dólares.
Esta subida reflete os temores de que a tensão entre Washington e Teerão possa comprometer o normal fluxo de petróleo através do estreito de Ormuz, uma rota por onde passa uma parcela significativa do crude transacionado globalmente. A esta incerteza geopolítica soma-se ainda o início da temporada de resultados trimestrais das empresas, um fator que os analistas apontam como determinante para o rumo dos mercados nos próximos dias.
Vários bancos norte-americanos de referência (JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup and Wells Fargo), bem como outras grandes empresas mundiais (Johnson & Johnson, Netflix e UnitedHealth), preparam-se para apresentar as suas contas ao longo desta semana, num momento em que os investidores procuram sinais sobre a robustez dos lucros empresariais, sobretudo no setor tecnológico, ligado ao boom da inteligência artificial.
Os investidores aguardam ainda, com particular atenção, a divulgação dos dados de inflação dos EUA referentes ao mês de junho, esperados para terça-feira, assim como a testemunha do novo presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, junto do Congresso dos EUA.
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