Presencial, remoto ou híbrido? Maioria diz que modelo de trabalho é “fator decisivo” na escolha de novo emprego

Só 6% dos trabalhadores inquiridos consideram que modelo de trabalho não é relevante na avaliação de uma nova oportunidade profissional, segundo análise da Hays.

Quase nove em cada dez trabalhadores portugueses admitem que o modelo de trabalho (presencial, remoto ou híbrido) é um “fator decisivo” na avaliação de uma nova oportunidade de emprego, indica um novo estudo da consultora de recursos humanos Hays. Para a maioria, o modelo que combina alguns dias no escritório com alguns dias de trabalho à distância melhora o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

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“Num contexto em que muitas organizações reforçam a presença no escritório e o debate em torno do regresso ao trabalho presencial continua a marcar a agenda empresarial, a flexibilidade permanece uma das principais prioridades dos profissionais“, começa por sublinhar a Hays numa consulta divulgada esta terça-feira.

Segundo esta consultora de recursos humanos, entre os 539 trabalhadores ouvidos, 87% disseram considerar o modelo de trabalho “uma prioridade máxima ou um fator muito importante” na escolha de um novo posto de trabalho”.

“Os resultados revelam ainda que apenas 6% dos profissionais consideram que o modelo de trabalho não é relevante na avaliação de uma nova oportunidade profissional, enquanto 25% o classificam como uma prioridade máxima e 62% como um fator muito importante”, detalha a Hays.

"Os resultados revelam ainda que apenas 6% dos profissionais consideram que o modelo de trabalho não é relevante na avaliação de uma nova oportunidade profissional, enquanto 25% o classificam como uma prioridade máxima e 62% como um fator muito importante.”

Hays Portugal

A consultora frisa que um estudo anterior — o Guia Hays 2026 — já deixava sinais nesse sentido. Com base em respostas de 1.300 profissionais qualificados e quase 500 empregadores em Portugal, essa análise dava nota de que 22% dos profissionais tinham recusado propostas de emprego por estas não incluírem a possibilidade de trabalho, enquanto 33% identificavam o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal “como um dos principais fatores para permanecer na organização onde trabalham”.

A propósito, o estudo revelado esta terça-feira ainda que 72% dos inquiridos salientam que modelo híbrido contribuiu para melhorar a conciliação entre as várias esferas da vida. E só 2% dos trabalhadores consideram esse modelo teve um impacto negativo.

“Nos últimos anos, assistimos a uma mudança estrutural nas expectativas dos profissionais. A flexibilidade deixou de ser encarada como um benefício complementar para passar a fazer parte da proposta de valor das empresas. Hoje, os profissionais procuram modelos de trabalho que lhes permitam conciliar as exigências da carreira com a sua vida pessoal, sem comprometer o seu desenvolvimento profissional”, afirma Paula Baptista, managing director da Hays Portugal.

"O verdadeiro desafio está em criar modelos que promovam simultaneamente produtividade, colaboração, desenvolvimento e bem-estar.”

Paula Baptista

Managing director da Hays Portugal

Perante estes dados, a consultora de recursos humanos realça também que, apesar das notícias sobre o regresso ao escritório em algumas organizações, os dados mostram que a flexibilidade continua a ser um elemento diferenciador na atração e retenção de talento. “Para muitas empresas, o desafio passa agora por encontrar um equilíbrio entre as necessidades do negócio, a colaboração presencial e as expectativas dos profissionais”, lê-se na análise.

“Hoje, o debate já não se centra apenas no local onde o trabalho é realizado. O verdadeiro desafio está em criar modelos que promovam simultaneamente produtividade, colaboração, desenvolvimento e bem-estar. As organizações que conseguirem responder a estas expectativas estarão mais bem preparadas para atrair e fidelizar talento num mercado cada vez mais competitivo”, entende Paula Baptista.

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