Seguro exige ao Governo mais apoios para antigos combatentes: “Esperam há demasiado tempo por respostas”
"Reconhecer avanços não basta se persistirem lacunas", avisa o Presidente da República, deixando um alerta: "A dignidade daqueles que serviram a pátria não se compadece com adiamentos intermináveis."
No dia em António José Seguro completou um mês como Presidente da República, comprometeu-se a defender as causas dos antigos combatentes, que refutou serem “um caso de arquivo”, e pediu ao Governo que não os esqueça e que olhe com gratidão e reconhecimento para estas pessoas que serviram a pátria. Ainda que admita haver avanços nas medidas de apoio, o Chefe de Estado notou que é preciso fazer mais. Até porque, enfatizou, “reconhecer avanços não basta se persistirem lacunas“.
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“Precisamos de olhar para os nossos combatentes com uma gratidão, que não se esgota em palavras de circunstância. Muitos antigos combatentes defenderam a bandeira de Portugal no século passado e neste esperam há demasiado tempo por respostas. É justo reconhecê-lo”, afirmou esta quinta-feira, durante a cerimónia do Dia do Combatente, que decorreu junto ao Mosteiro da Batalha, em Leiria, e na qual também discursou o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo.
Esta iniciativa aconteceu à margem da Presidência Aberta pela região Centro, fustigada pelas tempestades em janeiro e fevereiro deste ano.
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"A dignidade daqueles que serviram a pátria não se compadece com adiamentos intermináveis.”
Para o Chefe de Estado, “reconhecer avanços não basta se persistirem lacunas. A gratuidade dos medicamentos para pensionistas, a majoração dos apoios de saúde e a revisão de benefícios foram evoluções, mas ainda há caminho para andar”. Seguro não foi parco nas palavras, deixando um alerta: “A dignidade daqueles que serviram a pátria não se compadece com adiamentos intermináveis.”
Ainda que admita ter havido avanços nos apoios aos ex-combatentes, o chefe de Estado deixou uma garantia: “Como Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas, dirijo-me hoje a todos os combatentes e às vossas famílias com uma mensagem clara: esta Presidência não estará indiferente às vossas causas. Os combatentes de Portugal não são um tema de arquivo. São uma presença viva, ativa e merecedora da ativa e merecedora da atenção permanente do Estado e da sociedade”.
Meio século depois da Revolução dos Cravos, o Presidente da República fez questão de assegurar que “nenhum combatente deve sentir que o país pelo qual serviu o abandonou”. E apelou à boa vontade do Executivo de Luís Montenegro: “Confio na capacidade do Governo para corresponder às expectativas e às necessidades dos nossos combatentes.”
Ora, a resposta não demorou, com o ministro da Defesa a anunciar mudanças: “Quero anunciar que promoveremos a alteração legislativa necessária para que aos militares antigos combatentes na Índia, ainda vivos — infelizmente muito poucos –, seja finalmente atribuído, querendo cada um deles, o cartão de antigo combatente, que sempre lhes foi negado”.
Nuno Melo referiu, assim, que este é o “primeiro passo para o fim de uma injustiça que persiste desde 1961”. E assegurou ainda aos antigos militares que, “em breve, desde que respeitadas as condições previstas no estatuto do antigo combatente, quando o processo é iniciado, será emitida na hora, presencialmente junto do requerente, uma declaração”.
O governante disse igualmente que já deu “instruções para que o antigo combatente comece a ter direito aos seus benefícios, não apenas quando o cartão chega, sabendo que essa entrega muitas vezes demora demasiado, mas a partir do momento em que o processo se inicie”.
Nuno Melo sublinhou, por fim, que não é possível “ficar indiferente a tantos atos heroicos”, idêntico ao do “2º tenente Oliveira e Carmo, que sabendo do destino, decidiu trajar de branco para lutar até à morte, junto de marinheiros artilheiros como António Ferreira ou Fernando Jardino”, “contra navios e aeronaves da União Indiana”.
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