Operadoras registaram prejuízos de “dezenas de milhões de euros” com mau tempo

Telecoms ainda avaliam danos causados pelas tempestades. A Meo admite prejuízos de "dezenas de milhões de euros", enquanto a Nos também aponta para perdas de milhões.

A depressão Kristin derrubou milhares de postes, deixando algumas regiões sem qualquer serviço de comunicações fixas e até móveisMiguel Almeida/NOS, via LinkedIn

O comboio de tempestades também deixou um rasto de destruição nas redes de telecomunicações. Dois meses depois da depressão Kristin, ainda há portugueses sem comunicações fixas, com Meo e Vodafone a informarem que a reposição só deverá estar concluída no final de abril. Entre compensações pela interrupção dos serviços ao restabelecimento de linhas de fibra ótica cortadas, a Nos ainda está a fazer contas aos danos, mas admite, em declarações ao ECO, “que o impacto financeiro será grande e irá implicar milhões de euros”. Já a Meo fala num impacto “total estimado de dezenas de milhões de euros”.

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Para alguns milhares de clientes nas zonas mais afetadas, o Wi-Fi, a televisão e o telefone poderá continuar sem sinal até ao final do mês de abril. A Meo indica que existem 3,8% de clientes sem rede. Dados da Nos avançados ao ECO apontam para 2,5% de clientes fixos com serviço por recuperar. Já a Vodafone não avança quantos clientes permanecem sem serviço, admitindo, contudo, que é no serviço fixo que “se concentram as maiores dificuldades”.

Se as estimativas das operadoras se verificarem, alguns clientes poderão chegar ao fim deste pesadelo com três meses de interrupção de serviço fixo (as três empresas indicam que a rede móvel está reposta e a Digi não respondeu às questões do ECO). Em coro, as empresas de telecomunicações têm vindo a garantir que estão a descontar automaticamente nas faturas os dias em que o serviço esteve indisponível, conforme manda a lei.

E o que diz a Lei das Comunicações Eletrónicas? “Sempre que, por motivo não imputável ao utilizador final, qualquer dos serviços de comunicações eletrónicas acessíveis ao público, (…) que tenham sido por este contratados, se mantiverem indisponíveis por um período superior a 24 horas, consecutivas ou acumuladas por período de faturação, a empresa que oferece os serviços deve, independentemente de pedido do utilizador final nesse sentido, proceder ao crédito do valor equivalente ao preço que seria por este devido pela prestação do serviço durante o período em que o mesmo permaneceu indisponível.”

Para esse efeito, diz a lei que “o período de 24 horas a que se refere o número anterior é contado a partir do momento em que a situação de indisponibilidade seja do conhecimento da empresa ou da comunicação pelo utilizador final”. Os clientes têm ainda o direito ao reembolso de qualquer custo em que tenham incorrido para participar a referida indisponibilidade. Ao fim de 15 dias de interrupção, ganham o direito a rasgar o contrato, mesmo que esteja em curso a fidelização, “sem qualquer custo”. O que não está previsto na lei é uma indemnização ou compensação.

Já temos uma ideia de que o impacto financeiro será grande e irá implicar milhões de euros, mas primeiro temos de finalizar as nossas operações de recuperação, sendo os custos suportados pela Nos.

Fonte oficial da Nos

Nos admite “indemnizações ou compensações”

O Relatório Integrado da Nos referente a 2025 foi publicado na semana passada, mas não é uma leitura feita a pensar no público em geral. Trata-se de um documento feito a pensar nos acionistas e investidores, dando-lhes uma visão global do negócio no ano a que se refere, perspetivas para o futuro e outros assuntos da vida interna do grupo. Apesar de ter ocorrido já em 2026, o comboio de tempestades não passa ao lado do documento.

“À data de aprovação destas demonstrações financeiras, o grupo encontra-se a proceder a uma avaliação detalhada da extensão dos danos e dos respetivos impactos operacionais e financeiros” do comboio de tempestades, lê-se.

Entre os custos que a empresa admite vir a incorrer estão os de “reparação e reposição de ativos da rede”, um “aumento temporário dos gastos operacionais”, a “potencial perda de receita, resultante de interrupções temporárias de serviço e de eventuais limitações à prestação de serviços”, mas não é tudo. O relatório da Nos abre igualmente a porta a custos com “indemnizações ou compensações a clientes, ao abrigo de obrigações contratuais, legais ou regulamentares”.

Contactada sobre esse assunto, fonte oficial da Nos afirmou que “tem compensado e vai continuar a compensar de forma proativa os seus clientes pelos dias de indisponibilidade de serviço, nos termos da legislação em vigor. Esta compensação é automaticamente creditada na conta dos clientes na fatura seguinte ao restabelecimento do serviço”. Diz também a Nos que “estas informações têm sido comunicadas, antecipadamente, via SMS, aos clientes”.

Quanto à avaliação dos prejuízos, a Nos avança pela primeira vez com uma ordem de grandeza de “milhões de euros”. “Neste momento, continuamos a trabalhar com centenas de operacionais no terreno para restabelecer o serviço a todos os nossos clientes. Numa segunda fase, o nosso foco será o de assegurar a reposição total da rede aos níveis anteriores à tempestade. Já temos uma ideia de que o impacto financeiro será grande e irá implicar milhões de euros, mas primeiro temos de finalizar as nossas operações de recuperação, sendo os custos suportados pela Nos.”

Meo admite impacto de “dezenas de milhões de euros”

O ECO colocou as mesmas questões às restantes operadoras. Fonte oficial da Meo respondeu que, “na sequência dos fenómenos meteorológicos extremos registados nos meses de janeiro e fevereiro, a Meo foi fortemente impactada por um nível de destruição muito significativo nas suas redes e infraestruturas de telecomunicações, com danos em cerca de 2.000 quilómetros de cabo de fibra ótica, 28.000 postes e 47 torres de rede móvel”.

“A este impacto acrescem custos extraordinários de operação, nomeadamente com recurso intensivo a geradores, bem como efeitos comerciais associados à suspensão temporária de serviços nas zonas afetadas, num total de dezenas de milhões de euros”, refere a empresa do grupo Altice.

Adicionalmente, a empresa diz que “mantém centenas de profissionais no terreno desde a primeira hora, em articulação com autarquias, proteção civil, operadores de energia e entidades locais, e decidiu prolongar as medidas de apoio aos clientes ainda afetados até à reposição total dos serviços”. “Entre essas medidas incluem-se dados móveis ilimitados, acesso ao Meo Go fora de casa e soluções alternativas de conectividade, nomeadamente através de routers 4G e, em situações específicas, soluções via satélite”, acrescenta.

A Vodafone indicou: “Ainda não é possível quantificar com rigor o impacto financeiro e o investimento necessários na sequência as intempéries. A prioridade tem sido a de garantir a recuperação operacional e o apoio aos clientes.”

Correção: Uma versão anterior desta notícia indicava que a Meo não tinha avançado estimativas dos prejuízos. No entanto, a empresa tinha respondido ao ECO que os prejuízos totalizavam “dezenas de milhões de euros”. Aos leitores e visados, as nossas desculpas.

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