Maiores acionistas da bolsa de Lisboa encaixam 1,3 mil milhões em dividendos

Mais de quatro em cada dez euros de dividendos distribuídos pelas cotadas do PSI vão para as mãos dos maiores acionistas, com a família Soares dos Santos e os chineses da CTG à cabeça.

ECO Fast
  • Os maiores acionistas (cada um com 5% ou mais do capital de uma empresa) do PSI vão receber cerca de 1,28 mil milhões de euros em dividendos, representando 40% do total a distribuir.
  • As empresas do PSI planeiam pagar 3,1 mil milhões de euros em dividendos, um aumento de 2,25% em relação ao ano anterior, com 60% dos lucros a serem distribuídos.
  • Os acionistas estrangeiros, especialmente da China e Angola, receberão a maior parte dos dividendos, refletindo a forte presença de capital estrangeiro na bolsa portuguesa.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Os maiores acionistas da bolsa de Lisboa vão encaixar cerca de 1,28 mil milhões de euros em dividendos, correspondendo a 40% do total que as cotadas portuguesas se preparam para distribuir pelos investidores nas próximas semanas e meses, de acordo com os cálculos realizados pelo ECO.

Como o ECO revelou, as empresas do PSI vão pagar dividendos de 3,1 mil milhões de euros, mais 2,25% em relação ao ano anterior, prometendo distribuir pelos seus acionistas cerca de 60% dos lucros obtidos em 2025, que acabou por ser um ano muito positivo para a maioria das cotadas.

As contas mostram que mais de quatro em cada dez euros de dividendos vão para os bolsos dos maiores investidores – para este artigo consideramos os acionistas com uma participação igual ou superior a 5% do capital de uma empresa do PSI.

Esta lista é liderada pela família Soares dos Santos, que vai receber perto de 230 milhões de euros da Jerónimo Martins, a retalhista dona dos supermercados Pingo Doce e da qual controla mais de 56%.

Ainda assim, e refletindo o grande peso do capital estrangeiro na maior montra da bolsa nacional, a maior parte dos dividendos vai para fora do país.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

China e Angola recebem mais

Contas certas: os maiores acionistas portugueses incluindo as famílias Soares dos Santos, Azevedo ou Mota, entre outros, vão ter direito a aproximadamente 540 milhões de euros em dividendos (cerca de 42% dos dividendos atribuídos aos maiores acionistas); já os acionistas estrangeiros como a China Three Gorges (CTG), Fosun ou Sonangol, entre outros, levam para casa mais de 740 milhões (perto de 58%).

De resto, o segundo maior cheque será passado pela EDP à CTG: mais de 188,5 milhões de euros vão a caminho da elétrica estatal chinesa por conta da participação de 21,4% que detém na empresa de energia portuguesa. Pequim vai encaixar mais 26,5 milhões relativo ao dividendo que a State Grid vai receber da REN. Quanto a investidores chineses, a Fosun irá amealhar mais de 100 milhões do BCP e a China Communications Construction Company receberá pouco mais de 17 milhões da Mota-Engil

A lista segue com a Sonangol, que vai receber quase 180 milhões de euros em dividendos por via de duas participações relevantes que a petrolífera estatal angolana detém no PSI: o BCP vai entregar mais de 99 milhões e a Galp quase 80 milhões.

No que toca a Angola, terá ainda a receber 60 milhões em dividendos da operadora Nos, devido a uma participação de 26% que o Estado angolano está a disputar judicialmente com a empresária Isabel dos Santos.

Ou seja, os acionistas da China e Angola vão encaixar cerca de 330 milhões de euros e 240 milhões, respetivamente.

Além dos Estados de Angola e China, outro Estado também irá ‘lucrar’ com o seu investimento na bolsa de Lisboa: Portugal vai receber mais de 40 milhões da Galp através da Parpública.

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Famílias mais poderosas ganham 500 milhões

Entre as famílias portuguesas com maior peso no PSI, além da Soares dos Santos, a Amorim vai encaixar mais de 130 milhões de euros da Galp (97,3 milhões) e da Corticeira Amorim (33,3 milhões). E a Azevedo terá direito a um dividendo de 65,8 milhões da Sonae – não está contabilizado o dividendo da Nos, porque esse será pago à Sonaecom. A dividendos mais modestos vão ter direito a família Queiroz Pereira (42,4 milhões da Semapa), a família Mota (21,3 milhões da construtora Mota-Engil) e a famílias Champalimaud (3,75 milhões dos CTT.)

Contas feitas, as famílias mais poderosas vão ganhar perto de 500 milhões de euros em dividendos.

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