Turismo entra em “consolidação” com crescimento mais moderado em 2026. Prevê 34 milhões de hóspedes

Turismo deverá entrar em fase de consolidação, com crescimento mais moderado face aos máximos dos últimos anos. Setor antecipa até 34 milhões de turistas e receitas ligeiramente abaixo de 2025.

O turismo em Portugal entra numa fase de “consolidação” com os dados a apontarem para um crescimento mais moderado em 2026. São esperados entre 31,1 e 34 milhões de turistas, face aos 32,5 milhões registados em 2025, e proveitos totais entre 6,6 e 7 mil milhões de euros, abaixo dos 7,2 mil milhões alcançados no mesmo período.

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Segundo mostram os dados do Barómetro do Turismo do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), os profissionais do setor projetam ainda entre 80,1 e 83 milhões de dormidas, em linha com as 82,1 milhões de dormidas registadas o ano passado.

“Após um 2024 excecional e um 2025 em máximos históricos, 2026 deverá marcar uma fase de consolidação, com crescimento mais moderado e proveitos a refletirem a valorização contínua do setor”, afirma o presidente do IPDT. “Com receitas próximas dos 30 mil milhões de euros e um saldo da balança turística acima dos 20 mil milhões, quase o triplo de 2014, o turismo afirma-se como pilar estratégico, representando mais de 10% do PIB, face aos 5,9% de há pouco mais de uma década”, nota Jorge Costa.

Após um 2024 excecional e um 2025 em máximos históricos, 2026 deverá marcar uma fase de consolidação, com crescimento mais moderado e proveitos a refletirem a valorização contínua do setor.

Jorge Costa

Presidente do IPDT

De acordo com o IPDT, Portugal registou, no ano passado, 32,5 milhões de hóspedes, mais 3% do que em 2024 (31,6 milhões). Este crescimento foi sustentado por dinâmicas distintas entre mercados: os hóspedes residentes em Portugal cresceram 5% (12,8 milhões em 2025), enquanto os internacionais cresceram 2% (19,7 milhões em 2025).

As receitas turísticas em Portugal registaram, em 2025, um novo máximo histórico: 29,13 mil milhões de euros, mais 5% do que no ano anterior.

Acessibilidades são o principal desafio

Apesar do cenário globalmente positivo, o setor enfrenta desafios, com o barómetro a identificar as acessibilidades e a mobilidade como o principal desafio, apontado por 48% dos participantes. A escassez de recursos humanos qualificados, referida por 45% dos especialistas, surge como outro entrave relevante, seguida dos riscos associados à instabilidade económica e financeira internacional (43%). A pressão turística em determinados destinos é mencionada por 32%, sublinhando a necessidade de uma melhor gestão de fluxos.

O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, descartou no mês passado a ideia que existe turismo a mais em Portugal, assim como uma dependência excessiva do peso do setor na economia, defendendo até que há potencial para crescimento.

Requalificação e diversificação da oferta na agenda

Para reforçar a competitividade de Portugal enquanto destino turístico, os profissionais do setor apontam como prioridades a requalificação e diversificação da oferta turística (41%), a melhoria das infraestruturas e acessibilidades (27%) e a valorização dos recursos humanos (25%), com vista a um crescimento mais equilibrado e sustentável.

Por outro lado, a segurança (16%) continua a ser um fator determinante para a confiança dos visitantes e para a reputação internacional do país.

O Barómetro do Turismo do IPDT identifica ainda as principais tendências para 2026: o autocuidado e a regeneração lideram a lista, seguidos por destinos escolhidos em função do estado de espírito, o turismo literário e a desintoxicação digital.

Entre as dez principais tendências destacam-se ainda a procura por silêncio e refúgio, o regresso a destinos para experiências mais profundas e o uso da Inteligência Artificial como “suporte discreto à personalização da experiência”.

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