Fitch prevê défice de 0,8% em Portugal por causa das tempestades e da guerra no Irão
Analista da agência de notação financeira destaca que poderá ter de existir uma escolha entre lidar com a inflação e o saldo orçamental, dependendo da perspetiva do Governo.
A Fitch projeta que Portugal terá um défice orçamental de 0,8% do PIB este ano, nomeadamente devido aos apoios que tardam a chegar ao terreno para responder aos danos do mau tempo, existindo ainda incerteza quanto ao impacto do conflito no Médio Oriente.
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Num webinar sobre as perspetivas para Portugal, realizado hoje, Utku Bora, diretor associado de ratings soberanos da Fitch, salientou que a agência de notação financeira antecipa défices pequenos este ano e no próximo.
Para este ano, a previsão da Fitch é de um défice de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), nomeadamente devido à despesa com as tempestades, que é considerado um one-off, ou seja, um gasto que só acontece uma vez devido a um evento inesperado.
O analista apontou que ainda existe alguma incerteza quanto ao impacto total do mau tempo, bem como no que diz respeito aos preços do petróleo e os efeitos que isso pode ter.
O Governo já anunciou medidas, como o desconto no ISP devido ao aumento dos preços dos combustíveis, mas o impacto irá depender de quanto tempo os preços se mantêm elevados.
“Há um equilíbrio delicado e tudo depende da evolução dos preços do petróleo e do impacto da tempestade”, assumiu o analista, destacando que poderá ter de existir uma escolha entre lidar com a inflação e o saldo orçamental, dependendo da perspetiva do Governo.
Além disso, a utilização mais alta de empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência “também acrescenta pressão” às contas públicas, sinalizou o responsável.
Ainda assim, o analista apontou que Portugal alcançou excedentes em 2023 e 2024, sendo que em 2025 é esperado um saldo positivo mais elevado do que o previsto, particularmente graças à receita fiscal.
Utku Bora salientou ainda que, apesar das várias eleições nos últimos anos, os governos “têm mantido prudência orçamental e priorizado a consolidação”.
A 6 de março, a agência de notação financeira Fitch manteve o rating da dívida de Portugal em ‘A’, melhorando o outlook para positivo.
A Fitch indicou que a revisão da perspetiva reflete a opinião da agência “de que a dívida pública de Portugal em relação ao PIB continuará a cair de forma significativa” ao longo do horizonte de previsão (2026-2029), apoiada por “uma política orçamental prudente, com défices que se mantêm bem abaixo da mediana do grupo de pares”.
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