Mais de um terço dos CEO preocupados com viabilidade da empresa no médio e longo prazo

Líderes empresariais em Portugal estão mais preocupados com a rapidez da digitalização e com a sustentabilidade do atual modelo de negócio a médio e longo prazos do que a média global, segundo a PwC.

Mais de um terço dos CEO portugueses (38%) estão preocupados com a viabilidade da sua organização a médio e longo prazo. O receio só é superado pela rapidez das mudanças tecnológicas, que é uma preocupação para quase metade dos líderes empresariais, de acordo com a 29ª edição da CEO Survey divulgada esta quinta-feira.

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Esta é uma das conclusões do estudo elaborado pela consultora PwC a partir de entrevistas a mais de sete dezenas de gestores. Os principais resultados do inquérito estão a ser apresentados num evento no Palácio Sottomayor, em Lisboa, onde estão presentes o ex-ministro Luís Amado, Maria João Carioca (Galp) e Filipe de Botton (Logoplaste).

Os CEO em Portugal estão mais preocupados com a rapidez das mudanças tecnológicas e com a sustentabilidade do atual modelo de negócio a médio e longo prazos do que a média global, que é de 42% e 29%, respetivamente.

Num contexto global em que empresas líderes já apresentam ganhos operacionais significativos, Portugal corre o risco de ficar preso na fase de investimento, sem gerar retorno. A conclusão é clara: o país precisa de passar da adoção experimental à maturidade estratégica, capaz de transformar IA em vantagem competitiva real.

PwC

“Apesar dos desafios que moldam o contexto atual, da pressão tecnológica aos novos riscos, as empresas portuguesas mostram capacidade de adaptação e uma vontade clara de evoluir. A crescente atenção dos CEO à inovação e à reinvenção reforça que o futuro pode ser encarado com confiança: há espaço para crescer, transformar e criar valor de forma sustentada”, lê-se no relatório da PwC.

A consultora, liderada por António Brochado Correia em Portugal, considera que “com visão estratégica e investimento contínuo nas pessoas e na tecnologia, as organizações têm hoje uma oportunidade real de se fortalecer e prosperar num cenário em rápida mudança”.

Apesar do aumento da convicção dos CEO no crescimento da economia, a confiança dos stakeholders (clientes, colaboradores, reguladores e parceiros) está a diminuir. Em Portugal, o grupo das chamadas partes interessadas demonstra preocupações com a segurança e o uso responsável da inteligência artificial (48%), bem como o maior escrutínio das decisões da liderança (40%), ambos acima da média europeia.

Questões relacionadas com transparência, dados e privacidade também assumem relevância, confirmando que se tornou um tema central de gestão, com maior pressão sobre governação, tecnologia e impacto social, de acordo com a mais recente CEO Survey.

Face aos riscos geopolíticos, 64% das empresas portuguesas priorizam o reforço da cibersegurança, valor superior ao da Europa Ocidental (56%) e do mundo (47%).

Uma vez que os CEO portugueses enfrentam uma nova geração de riscos, mais voláteis, tecnológicos e interligados, a cibersegurança é vista como o principal risco para 37% dos líderes, uma vez que os ataques informáticos se tornaram mais frequentes e sofisticados e com consequências maiores. “Portugal revela menor propensão para ações como a reconfiguração da cadeia de abastecimento ou ajustes fiscais, quando comparado com a Europa Ocidental e o contexto global, evidenciando uma resposta mais operacional do que estratégica”, refere ainda a análise da PwC.

Espanha é o principal destino de investimento em 2026

A nível global, os líderes das empresas internacionais assinalaram os Estados Unidos como o principal país de destino do investimento, mas os portugueses preferem a proximidade. Provavelmente pela cultura ibérica e menores custos de internacionalização face ao mercado norte-americano, os gestores indicaram que Espanha é o principal destino do investimento externo.

Quando questionados sobre quais são os três países que receberão a maior parte do investimento da sua empresa nos próximos 12 meses, 36% responderam o país vizinho, 11% disseram que planeiam investir no Brasil e nos Estados Unidos e mais de um terço (37%) não tem qualquer plano de investimento internacional, mantendo-se focado no mercado doméstico a curto prazo. “Os Estados Unidos têm um crescimento assinalável (para 35%) e a Índia também”, assinalou, sobre a opinião global, o partner da PwC José Bizarro Duarte, durante a apresentação.

Neste âmbito internacional, a maioria das empresas não antecipa um impacto relevante das tarifas nas margens de lucro nos próximos 12 meses e 14% das empresas portuguesas esperam efeitos negativos. Importa realçar que o inquérito a 73 CEO em Portugal foi realizado entre 30 de setembro e 10 de novembro de 2025, portanto antes do anúncio de novas taxas alfandegárias por parte de Donald Trump.

Quais são as principais preocupações dos CEO portugueses?

  • Transformação do negócio para acompanhar as mudanças tecnológicas, incluindo a IA – 48%
  • Viabilidade da organização a médio e longo prazo – 38%
  • Capacidade de inovação face a um futuro que sabemos será incerta – 34%
  • Adequada equipa de liderança – 29%
  • Evento geopolítico que cause grandes perturbações – 27%
  • Cuidado para com as pessoas versus a necessidade de reduzir custos laborais – 23%
  • Equilíbrio entre a excelência na gestão e a resiliência face aos desafios – 22%

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